Metade dos consumidores aponta aumento do custo de vida como motivo de dívidas

Metade dos consumidores portugueses apontou o aumento do custo de vida como principal motivo para dívidas, segundo um estudo da Intrum, que apontou ainda o uso do cartão de crédito nos últimos seis meses para pagar contas ou despesas.

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Num comunicado, a entidade destacou que o “aumento do custo de vida continua a ser o principal fator por detrás das dificuldades financeiras das famílias portuguesas”, sendo que o estudo concluiu que 50% dos consumidores em Portugal, “que enfrentam dificuldades em pagar as suas dívidas apontam o aumento dos preços de bens essenciais, como alimentação e energia, como a principal razão para esta situação”.

De acordo com o estudo da Intrum, que atua no setor de serviços de gestão de crédito na Europa, “43% dos portugueses endividam-se devido a despesas inesperadas, como emergências familiares ou despesas médicas”, enquanto 34% apontam a estagnação dos seus “salários ou rendimentos, uma vez que não acompanharam o aumento do custo de vida”.

Ainda assim, 77% dos consumidores em Portugal afirmam “conseguir pagar todas as contas dentro dos prazos, um valor ligeiramente acima da média europeia”, mas este resultado “evidencia uma deterioração significativa face a 2024, quando 85% dos consumidores o conseguiam fazer”, o que sinaliza uma “crescente pressão financeira sobre os orçamentos familiares”.

Por outro lado, numa análise regional o estudo mostra que embora o aumento do custo de vida seja um fator transversal, “as razões concretas para as dificuldades financeiras variam entre regiões do país”.

Nas Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores, 71% dos consumidores indicam “o aumento do custo de vida como a principal razão para dificuldades em pagar dívidas”, sendo que no Alentejo, “82% dos consumidores que enfrentam dificuldades financeiras indicam despesas inesperadas como um dos principais motivos para o endividamento, evidenciando uma maior exposição a imprevistos financeiros”.

A Área Metropolitana de Lisboa é onde os consumidores mais se queixam por “o seu rendimento não acompanhar o aumento do custo de vida (56%), levando-os a endividarem-se”.

O estudo da Intrum, “ECPR – European Consumer Payment Report”, identifica ainda diferenças entre gerações nas razões para o endividamento.

“Entre a Geração X, 74% apontam o custo de vida como o principal motivo para dificuldades em pagar dívidas, sendo o grupo etário mais afetado por este fator. Metade desta geração (50%) refere ainda o impacto de rendimentos que não acompanham o aumento dos preços”, mas entre os Millennials, 43% apontam despesas inesperadas.

“Já a Geração Z demonstra maior vulnerabilidade a imprevistos financeiros: 59% apontam custos inesperados como o principal motivo para dificuldades em pagar dívidas, refletindo uma menor margem financeira para lidar com despesas inesperadas”, lê-se no comunicado.

Questionados sobre os motivos para não pagarem contas a tempo, “40% dos consumidores portugueses inquiridos dizem não ter dinheiro suficiente disponível no momento do pagamento”.

De acordo com o estudo, “46% dos consumidores em Portugal afirmam ter utilizado cartão de crédito nos últimos seis meses para pagar contas ou outras despesas”, indicou ainda a Intrum, sendo que, 19% dos consumidores disseram ter pedido dinheiro emprestado.

O estudo foi conduzido pela FT Longitude em agosto de 2025, com base num inquérito a 20.000 consumidores em 20 países europeus. Em Portugal, a amostra foi de 1.000 consumidores.

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