Professores portugueses destacam-se em estudo da OCDE por terem mais conhecimentos pedagógicos

Os professores portugueses são os que têm mais conhecimentos pedagógicos, segundo um estudo da OCDE, o que lhes permite lidar melhor com os desafios da sala de aula e fazer com que os alunos aprendam melhor.

©D.R.

Uma equipa de investigadores quis saber o que “torna os professores excelentes” e, após questionar cerca de 20 mil docentes de oito países, encontrou uma relação entre conhecimentos pedagógicos e sucesso académico dos estudantes.

Os alunos de professores com mais conhecimentos pedagógicos tendem a ter melhores resultados a matemática e leitura, sublinha o relatório da OCDE “Teacher Knowledge Survey 2024”, que avaliou pela primeira vez, de forma comparável entre países, este saber dos docentes.

Os portugueses são os que têm mais conhecimentos pedagógicos, seguindo-se depois os professores da Polónia, Croácia, Estados Unidos, Chile, África do Sul, Marrocos e Arábia Saudita.

Estes docentes conseguem “ler a sala” e “ajustar-se em tempo real”, estando mais preparados para tarefas como alterar a forma de explicar conteúdos quando um aluno não compreende, conseguindo dedicar mais tempo à aprendizagem e menos tempo a impor disciplina.

“A excelência no ensino, ao que parece, não é um acaso”, alerta a OCDE, defendendo a importância dos países investirem nos conhecimentos pedagógicos.

“Como qualquer profissão baseada no conhecimento, exige que levemos a sério a preparação, o desenvolvimento e a aprendizagem contínua dos professores — não como algo secundário, mas como a estratégia central para melhorar os sistemas educativos. Exige que reconheçamos, recompensemos e valorizemos a especialização pedagógica com o mesmo respeito que atribuímos a outras profissões altamente qualificadas”, defendem os investigadores.

Em Portugal, a maioria dos professores do ensino obrigatório possui formação pedagógica adquirida em mestrados em ensino e na profissionalização docente.

Com falta de professores e milhares de alunos sem aulas, as escolas portuguesas sentiram necessidade de contratar cada vez mais licenciados com formação própria: Se no ano letivo de 2014/2015 representavam 1,6% dos professores, passaram a ser 6,5% em 2022/2023.

No ano passado, o Ministério da Educação voltou a abrir um concurso para recrutar cerca de 1.700 novos docentes com habilitação própria, à semelhança do que já tinha acontecido no ano anterior.

Entretanto, o ministério já lançou programas especiais com instituições de ensino superior para que estes professores possam fazer, gratuitamente, a formação necessária para obter a habilitação profissional.

O estudo hoje divulgado sublinha os benefícios das qualificações e de “programas de formação de professores mais curtos, acelerados ou especializados”, mas mostra também que na maioria dos países estudados não existe uma associação forte entre ter mais conhecimentos pedagógicos e querer manter-se na profissão por mais de cinco anos. No entanto, Portugal escapa a esta tendência, ao lado da Arábia Saudita e Marrocos.

Os investigadores acreditam que as intenções de carreira dos professores são influenciadas por um conjunto amplo de fatores, como as condições laborais, que vão desde os salários, às oportunidades de progressão na carreira e a horários de trabalho, e por isso pedem a valorização dos professores.

Os resultados do estudo hoje apresentado devem “incentivar as autoridades educativas a encontrar formas de melhor valorizar e reconhecer o contributo profissional que prestam”, defendem os especialistas, lembrando que o futuro da educação “será escrito nas salas de aula” por quem sabe dar vida às disciplinas.

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