A escolha de Luís Montenegro para mandatária distrital da sua recandidatura à liderança do PSD está a gerar polémica depois da Câmara da Póvoa de Varzim, liderada pela autarca escolhida pelo primeiro-ministro, ter sido alvo de buscas da Polícia Judiciária numa investigação por suspeitas de corrupção, favorecimento e manipulação de contratos públicos ligados às iluminações de Natal.
A presidente da Câmara da Póvoa de Varzim foi uma das 21 mulheres escolhidas por Luís Montenegro para desempenhar funções de mandatárias distritais na sua candidatura à liderança nacional do Partido Social Democrata (PSD). A escolha ganhou agora dimensão política depois de a autarquia que lidera ter sido envolvida na operação ‘Lúmen’, megaoperação desencadeada pela PJ para investigar um alegado esquema criminoso relacionado com contratos de fornecimento e instalação de iluminações festivas em vários municípios portugueses.
Segundo a Polícia Judiciária, a investigação nasceu após denúncias relacionadas com alegada “viciação de procedimentos de contratação pública” ligados às iluminações de Natal e outras festividades. Ao todo, foram realizadas 26 buscas domiciliárias e não domiciliárias em entidades públicas e privadas de norte a sul do país, numa operação que culminou na detenção de quatro pessoas suspeitas dos crimes de corrupção ativa e passiva, participação económica em negócio, abuso de poder e associação criminosa.
Entre os detidos estão um administrador e um funcionário de uma empresa privada, uma presidente de associação privada e um funcionário público ligado à Câmara Municipal de Lisboa. No centro da investigação está a empresa Castros Iluminações Festivas, de Vila Nova de Gaia, considerada uma das maiores fornecedoras de luzes decorativas em Portugal e responsável por montagens em vários municípios ao longo dos últimos anos.
A Câmara da Póvoa de Varzim confirmou as buscas realizadas pela PJ, garantindo que colaborou com as autoridades durante toda a operação. Segundo fonte da autarquia, os investigadores recolheram documentação e contratos específicos relacionados com o processo.
O inquérito está a ser conduzido pelo Departamento de Investigação e Ação Penal Regional do Porto.