Brigada de vacas maronesas faz prevenção de incêndios em Vila Pouca de Aguiar

Uma brigada florestal animal composta por vacas maronesas está a pastar e a limpar um terreno de 6,5 hectares, em Vila Pouca de Aguiar, e a ajudar a prevenir incêndios rurais, num projeto apresentado esta sexta-feira.

© D.R.

“Onde elas andam está limpo e já não temos o risco dos incêndios. No fim de junho não temos aqui nada”, afirmou o produtor de gado maronês Eduardo Silva, 61 anos.

O projeto de gestão de combustível através da silvopastorícia com vacas maronesas junta a Redes Energéticas Nacionais (REN), a associação florestal Aguiarfloresta e o Instituto Politécnico de Bragança (IPB), e prolonga-se por mais quatro anos.

Hoje, eram 12 as vacas que pastavam na envolvente da subestação da REN, na serra da Falperra, em Vila Pouca de Aguiar, distrito de Vila Real.

“Elas ficam aqui a destruir as ervas mais bravas e o pasto”, afirmou a mulher de Eduardo, Maria José, 56 anos, realçando que a missão delas é comer, limpar e prevenir.

A produtora explicou que a raça maronesa é adequada para as montanhas e que esta é uma boa solução para travar os incêndios.

A brigada florestal animal, composta no total por 40 vacas desta raça autóctone, está “a trabalhar” num terreno de 6,5 hectares afeto à subestação da serra da Falperra.

“É uma iniciativa que pretende dar resposta àquilo que é uma necessidade e uma responsabilidade da REN, garantir a resiliência da sua infraestrutura, principalmente aos incêndios rurais, mas também é uma iniciativa que promove valorização de uma raça autóctone, neste caso da vaca maronesa, e que promove também a biodiversidade”, afirmou Pedro Marques, responsável da área de redes sustentáveis e servidões da REN.

Este é, segundo disse, um projeto-piloto que poderá ser replicado em outras infraestruturas da empresa.

“Através das vacas autóctones fazemos a gestão da vegetação de forma contínua, permanente, durante todo o ano, aumentando a resiliência aos incêndios”, salientou Pedro Marques.

Duarte Marques, da Aguiarfloresta, considerou que este projeto-piloto permite mostrar “que é possível fazer mais e fazer com outra intervenção, com outra capacidade, envolvendo as pessoas do território, porque as vacas já existem no território”.

“Vem alavancar modelos mais eficientes e mais estratégicos de gestão do território, nomeadamente em áreas que são necessárias de proteger”, sublinhou.

Já Carlos Aguiar, do IPB, destacou que “o acompanhamento científico deste projeto permite avaliar, de forma rigorosa, os seus impactos ambientais e a eficácia do modelo de gestão de combustível, contribuindo para a produção de conhecimento aplicado e para o desenvolvimento de soluções com potencial de replicação”.

Numa fase inicial, prevê-se que os animais consumam aproximadamente 33 toneladas de vegetação por ano, contribuindo para a redução da carga combustível.

No âmbito do projeto, foram introduzidas espécies vegetais mais adequadas ao pastoreio, melhorando a qualidade da pastagem e reforçando a sua função na prevenção de incêndios.

Foram também instaladas infraestruturas de apoio, como manjedouras e bebedouros, que permitem assegurar as condições necessárias ao maneio dos animais.

A Aguiarfloresta é responsável pela implementação e gestão operacional do modelo de pastoreio extensivo, bem como pela articulação com o território, enquanto o IPB assegura o acompanhamento científico, através da monitorização dos impactos ambientais e da avaliação da eficácia deste sistema de gestão de combustível.

O projeto prevê ainda a realização de estudos comparativos e ações de formação dirigidas a criadores e comunidades locais, e integra a estratégia da REN de valorização e promoção de soluções de base natural, na gestão do território, privilegiando iniciativas desenvolvidas em parceria com as comunidades locais e com potencial de aplicação noutros contextos.

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