Em comunicado enviado à agência Lusa, a PJ explicou que a operação da Diretoria do Centro e da Guarda Civil de Castela e Leão foi realizada em duas fases, na zona de Burgos, no norte de Espanha, e “visou um grupo de cariz familiar que, de forma concertada, desde há vários anos, recrutava em Portugal pessoas fragilizadas, com carências económicas e em processos de exclusão social”.
“Em território espanhol, os suspeitos intermediavam, junto de trabalhadores, o completo de mão de obra para trabalhos agrícolas pouco interessados, mantendo as vítimas controladas, a viver em deploráveis condições de habitabilidade e alimentação, sob constante coação, ficando na posse da quase totalidade dos proventos auferidos, através da apropriação do dinheiro que os empresários entregavam para pagamento dos prejuízos”, adiantou a PJ.
“Sem controlo sobre as suas vidas, as vítimas eram inscritas nos Serviços da Segurança Social espanhola, com a finalidade dos exploradores elaborarem contratos de trabalho, obtidos, por esta via e para além dos regulamentos, benefícios resultantes de prestações sociais”, nomeadamente com a abertura de contas bancárias e registo de viaturas em seu nome, “estratégia que dificultava a atuação das autoridades”.
Segundo a PJ, as duas vítimas – resgatadas na primeira fase da operação, em março de 2025 – “estavam sob domínio dos suspeitos há 30 e 15 anos, respetivamente, tendo a mais velha sido inclusivamente transacionada entre elementos do grupo, como se de uma mercadoria se tratasse”.
Intitulada “Mãos Livres”, a operação das polícias ibéricas verificada em três detenções em Espanha e duas em Portugal, ocorridas hoje e na terça-feira, em cumprimento de mandatos de detenção europeus emitidos pelo Tribunal de Coimbra, em articulação com a EUROJUST.
A Polícia Judiciária vincou que os dois detidos em Portugal, suspeitos de crimes de tráfico de pessoas, têm 54 e 56 anos e um possui antecedentes criminais pela prática de crimes da mesma natureza.
Os dois homens apresentarão oportunamente um tribunal para determinação de medidas de coação, referente à PJ.
Já os três detidos em Espanha, com idades entre os 32 e os 35 anos, foram presentes na Audiência Nacional, em Madrid, para extradição para território português.
Nas diligências realizadas em território espanhol, colaboradas pela PJ, foram ainda recolhidos elementos de prova adicionais, concretamente documentos variados e apurados saldos bancários e dois imóveis.