Ventura acusa Montenegro: “Devia estar a coordenar o país e estava no NOS Alive”

Líder do CHEGA acusa o primeiro-ministro de falta de empatia perante os incêndios, a crise da água em Almada e o aumento do custo de vida. André Ventura garante ainda que o partido não se deixará intimidar pelas alegadas ameaças do ministro da Administração Interna.

© Folha Nacional

O presidente do CHEGA, André Ventura, acusou esta sexta-feira o primeiro-ministro de estar “desligado da realidade” que os portugueses vivem, apontando a ausência de Luís Montenegro perante os incêndios, a crise no abastecimento de água em Almada e o agravamento do custo de vida. Em conferência de imprensa, na sede nacional do partido, em Lisboa, deixou uma mensagem direta ao chefe do Governo: “Menos festas, menos festivais e mais trabalho em prol das pessoas.”

Ventura começou por condenar a apreensão do outdoor que o CHEGA tentou instalar junto à Assembleia da República, considerando que a atuação da Câmara Municipal de Lisboa e da Polícia Municipal constituiu uma tentativa de impedir a divulgação de uma mensagem política.

O cartaz exibia uma imagem de Luís Montenegro com os olhos e a boca tapados, acompanhada da frase: “Portugal a arder. Caos nos Exames. Almada sem água. Onde está o Governo?”

Para o líder do CHEGA, a apreensão do cartaz representa uma limitação da liberdade de expressão política. André Ventura defendeu que nenhum partido pode ser impedido de transmitir as suas posições e acusou o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, de tentar silenciar uma mensagem que, afirmou, reflete as preocupações de muitos portugueses.

O presidente do segundo maior partido voltou depois a centrar as críticas em Luís Montenegro, sustentando que a sua ausência nos momentos de maior dificuldade demonstra falta de empatia para com os cidadãos.

“O primeiro-ministro devia estar a coordenar o combate aos incêndios e estava no Mundial. Devia estar a ajudar Almada e estava no NOS Alive”, afirmou.

Ventura considerou ainda que o país atravessa um período particularmente difícil e acusou o Governo de anunciar reformas que não produzem qualquer impacto no poder de compra das famílias.

“O estado da Nação não é bom, é péssimo”, declarou, a poucos dias do Debate sobre o Estado da Nação.

O aumento do preço dos combustíveis foi outro dos temas abordados. O líder do CHEGA defendeu que os consumidores continuam a pagar preços que não refletem a evolução das cotações internacionais do petróleo.

Segundo André Ventura, os combustíveis “não aumentam nem diminuem de acordo com os mercados internacionais, mas sim de acordo com os bolsos dos governos”, anunciando a apresentação de um projeto-lei que pretende obrigar a que qualquer descida do preço do petróleo nos mercados internacionais seja repercutida, na mesma proporção, no preço dos combustíveis em Portugal.

Na parte final da conferência de imprensa, André Ventura abordou ainda a polémica relacionada com as obras na residência do ministro da Administração Interna, Luís Neves, defendendo que quem exige transparência também deve dar o exemplo.

O líder do CHEGA rejeitou a justificação de que os custos das obras não possam ser divulgados por alegadas razões de segurança e insistiu que “o escrutínio deve existir para todos, independentemente dos cargos que ocupam”.

Ventura garantiu igualmente que o partido não recuará perante as críticas do ministro da Administração Interna e anunciou que o CHEGA irá dirigir um conjunto de perguntas à ministra da Justiça sobre as obras realizadas na residência do governante, reiterando que continuará a exigir responsabilidades “doa a quem doer”.

Últimas de Política Nacional

André Ventura acusou esta sexta-feira Luís Montenegro de transformar a cobrança de impostos numa prioridade do Governo, enquanto as famílias enfrentam despesas cada vez mais difíceis de suportar. No Parlamento, o presidente do CHEGA denunciou uma receita fiscal recorde, criticou a manutenção do IVA dos combustíveis e das portagens e acusou o primeiro-ministro de se "rir da pobreza dos portugueses".
André Ventura acusou esta quinta-feira PS e PSD de bloquearem a investigação parlamentar aos mandatos de Luís Neves à frente da Polícia Judiciária. No debate de urgência na Assembleia da República, o presidente do CHEGA apontou diretamente a Aguiar-Branco e denunciou aquilo que considera ser uma tentativa de proteger o atual ministro da Administração Interna do escrutínio parlamentar.
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) a Luís Neves toma posse no dia 14, mas o entendimento parlamentar que limita a duas as CPI em funcionamento pode travar o arranque dos trabalhos. Ventura contesta uma regra que não está "nem na lei nem na Constituição".
PS e PSD chegaram a um entendimento para que os trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito aos mandatos de Luís Neves sejam suspensos enquanto estiverem em funcionamento outras duas comissões de inquérito. A solução adia, na prática, o arranque pleno da investigação parlamentar pretendida pelo CHEGA à atuação de Luís Neves enquanto diretor nacional da Polícia Judiciária.
André Ventura acusou esta terça-feira o presidente da Assembleia da República de estar a atrasar a Comissão Parlamentar de Inquérito aos mandatos de Luís Neves na Polícia Judiciária. O líder do CHEGA diz que o partido já aceitou sucessivas limitações e desafia Aguiar-Branco a explicar por que razão a comissão ainda não avançou.
André Ventura anunciou este sábado, em Coimbra, que vai assumir pessoalmente a presidência da Comissão Parlamentar de Inquérito aos mandatos de Luís Neves na Polícia Judiciária. Líder do CHEGA promete uma investigação “até ao fim”, garante que não haverá bloqueios aos restantes partidos e deixa um aviso: “Não deixarei que Luís Neves, nem outros Luís Neves, sejam bloqueadores da verdade.”
André Ventura criticou a decisão de José Luís Carneiro de propor a abstenção do PS no Orçamento do Estado para 2027 antes de ser conhecido o documento. O Presidente do CHEGA considera que os socialistas passam a ser "parceiros" do Governo e questiona que margem resta para negociar medidas em áreas como Saúde, Administração Interna, combustíveis e alimentação.
A Comissão parlamentar vai analisar a atuação de Luís Neves durante os oito anos em que dirigiu a Polícia Judiciária e apurar eventuais responsabilidades dos membros dos governos que o nomearam e tutelaram. O CHEGA fica com a presidência, enquanto PS e PSD assumem as duas vice-presidências.
Miguel Guimarães, antigo bastonário da Ordem dos Médicos e atual deputado do PSD, é visado por acusações que incluem alegados gastos excessivos, abuso de poder e corrupção passiva.
O CHEGA queria que o Governo português promovesse junto da União Europeia a inclusão do Primeiro Comando da Capital (PCC) na lista de organizações terroristas. Mas PSD, PS, Livre e Bloco de Esquerda votaram contra.