O objetivo destes furtos não é a reutilização ou a venda das peças, mas a extração de metais, como a platina, presentes na estrutura interna dos catalisadores
Em comunicado, a Guarda Nacional Republicana (GNR) precisa que registou nos primeiros seis meses do ano 685 crimes relacionados com o furto de componentes de automóveis, em contraste com os 577 registados em período homólogo.
Nos primeiros seis meses do ano, a GNR registou um aumento de 108 crimes (18,72%) de furto de acessórios ou peças de veículos motorizados, face ao período homólogo de 2025, perfazendo um total de 685 ocorrências, das quais 178 correspondem especificamente a processos-crime por furto de catalisadores.
De acordo com a GNR, foram registados aumentos em distritos como Portalegre (+200%), Viseu (+150%) e Leiria (+71%), “demonstrando a elevada mobilidade geográfica das redes criminosas do litoral para o interior”.
No primeiro semestre deste ano foram detidas seis pessoas por furto de acessórios/peças em veículo motorizado, quando em 2025 tinham sido oito pessoas.
“Contrariamente ao que possa parecer, os autores destes furtos não visam a reutilização ou venda da peça completa como componente automóvel de substituição”, refere a GNR.
De acordo com a GNR, estes metais “são muito valorizados a nível global devido à sua escassez e importância industrial, com cotações que atingiram picos elevados em 2026, tornando o crime lucrativo para redes organizadas”.
Os furtos são efetuados com “recurso a rebarbadoras portáteis a bateria, capazes de extrair o componente em menos de um minuto, sendo as peças escoadas rapidamente através de circuitos ilegais de recetação”.
A GNR alerta os proprietários para redobrarem a atenção, especialmente em parques de estacionamento isolados ou de parqueamento prolongado durante o dia.