Exames: “Praticamente impossível” concluir reapreciações até sexta-feira

O movimento de professores Missão Escola Pública (MEP) considerou hoje que será "praticamente impossível" concluir as reapreciações da 1.ª fase dos exames nacionais até sexta-feira, relatando casos de docentes convocados nos últimos dias.

© D.R.

À semelhança das pautas da 2.ª fase dos exames nacionais do ensino secundário, na sexta-feira deverão ser igualmente divulgados os resultados das reapreciações de provas realizadas na 1.ª fase.

No domingo, estavam concluídos cerca de 50% dos mais de 20 mil pedidos de reapreciação, mas Cristina Mota, porta-voz da MEP, tem dúvidas de que o processo esteja concluído a tempo.

“Durante o fim de semana e nos últimos dias, apercebamo-nos que ainda estão a ser convocados professores para reapreciações”, disse a professora, em declarações à agência Lusa.

Inicialmente, os relatores tinham até terça-feira para finalizar esse trabalho, mas Cristina Mota refere casos de professores que ainda não tinham conseguido dar resposta a todos os pedidos e foram, entretanto, informados que poderiam fazê-lo até quinta-feira, para que os resultados sejam publicados no dia seguinte.

“Será praticamente impossível termos a totalidade das reapreciações na sexta-feira”, antecipa.

Enquanto os principais problemas na classificação eletrónica dos exames nacionais parecem ter ficado resolvidos na 2.ª fase, a MEP relata vários constrangimentos que estão a dificultar o processo de reapreciação.

Depois dos erros iniciais na atribuição das provas — alguns professores receberam exames de disciplinas que não lecionam –, há casos em que faltam os modelos preenchidos pelos alunos com a alegação justificativa para o pedido de reapreciação, ou os documentos que os relatores devem preencher.

“Este é um processo muito mais burocrático”, sublinha Cristina Mota, afirmando que, além do prazo apertado e do volume de trabalho, alguns docentes não conseguem concluir as reapreciações devido a documentação em falta.

Quanto aos exames da 2.ª fase, o ministro da Educação, Fernando Alexandre, disse na segunda-feira que cerca de 97% das respostas estavam classificadas e que o processo está a decorrer “com normalidade e tranquilidade”.

Pela primeira vez este ano, os exames nacionais do ensino secundário foram avaliados em formato digital, mas durante a 1.ª fase o processo registou várias falhas técnicas, obrigando ao adiamento por alguns dias da divulgação das notas.

Admitindo que as pautas serão, provavelmente, afixadas na sexta-feira, como previsto, Cristina Mota sublinhou que voltaram a registar-se constrangimentos, ainda que em menor dimensão.

Entre folhas de continuação em falta e itens que, de um momento para o outro, desapareceram da área de trabalho dos classificadores, a porta-voz da MEP diz que na terça-feira ainda havia questões por atribuir.

Também o movimento MetaProf divulgou hoje um balanço dos relatos recebidos através da página “Exames 2026: O caos documentado”, criada durante a 1.ª fase, em que professores dão conta de falhas no acesso à plataforma, erros de correção sem resposta e fichas A (que identificam alunos com dislexia) que não estavam associadas às provas correspondentes.

Num dos testemunhos, uma professora de Física e Química conta também que tinha 141 itens para corrigir, mas o acesso à plataforma foi interrompido e os itens atribuídos desapareceram.

Perante as falhas no processo de classificação, a Federação Nacional da Educação (FNE) defendeu, na terça-feira, 10 garantias mínimas para reforçar a credibilidade dos exames nacionais.

Entre as recomendações, a federação defende que os professores devem participar na definição de futuras soluções, a valorização da função de classificador, a criação de planos de contingência e de procedimentos de avaliação e melhoria contínua do sistema.

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