Quase três semanas depois da entrada em massa de migrantes em Ceuta, a situação começa também a fazer-se sentir nas colónias felinas da cidade. Cuidadoras voluntárias denunciam o desaparecimento de vários gatos, a ocupação dos espaços onde habitualmente vivem e o aparecimento de animais mortos e mutilados em diferentes zonas.
Segundo testemunhos recolhidos pelo jornal espanhol La Gaceta, as colónias localizadas junto à dessalinizadora e nas zonas de Huerta Téllez, Carmelitas, Calle Goya, Príncipe, Sidi Embarek e Punta Blanca estão entre as mais afetadas. A instalação de grupos de migrantes nestes locais terá levado vários animais a abandonar os seus habitats.
As cuidadoras explicam que os gatos são animais territoriais e que a alteração repentina do ambiente pode obrigá-los a procurar outros locais, deixando-os mais expostos à fome, à sede e a atropelamentos. “Faltam gatos. Onde estão? Neste momento, não sabemos”, lamentam.
Mais preocupantes são os relatos de uma responsável por uma das colónias, que afirma ter encontrado vários gatos mortos em circunstâncias violentas. Entre os casos descritos estão animais mutilados e outros com ferimentos aparentemente provocados por objetos perfurantes. A mesma cuidadora diz ter encontrado pombos e gaivotas parcialmente comidos, embora ressalve não ter testemunhado quem provocou qualquer destes episódios.
Apesar da gravidade das denúncias, as voluntárias não atribuem a autoria das mortes ou maus-tratos aos migrantes, uma vez que não dispõem de provas que permitam estabelecer essa ligação. Alertam, contudo, para o impacto da ocupação dos habitats e exigem uma intervenção rápida das autoridades, segundo relata o jornal espanhol.
As cuidadoras defendem que sejam criados espaços provisórios adequados para acolher os migrantes, evitando a formação de acampamentos improvisados em zonas ocupadas pelas colónias felinas. Pedem igualmente maior apoio do município para proteger os animais e garantir a continuidade dos cuidados.
As voluntárias recordam que nunca interromperam a alimentação e acompanhamento das colónias, nem durante a pandemia, nem durante a crise migratória de 2021. Perante a atual situação, reclamam medidas urgentes para localizar os animais desaparecidos e evitar novos casos de abandono, maus-tratos ou morte.