Portugal registou, em 2025, o valor mais elevado de sempre no índice de acessibilidade à habitação da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), atingindo 166,7 pontos. O resultado coloca o país na posição mais desfavorável entre os 33 Estados analisados, refletindo a crescente dificuldade das famílias em adquirir habitação.
Segundo o 24H, o agravamento torna-se ainda mais evidente na evolução dos preços. Entre 2014 e 2024, o valor das casas mais do que duplicou, enquanto o rendimento médio das famílias aumentou apenas 33%. No segundo trimestre de 2026, Portugal liderava também o indicador de preços imobiliários da OCDE, com 228 pontos, à frente da Hungria e da Croácia.
A escassez de construção é apontada como um dos principais fatores da crise. Segundo dados da Pordata, em 2025 foram construídas cerca de 27 mil habitações, muito abaixo das 125 mil registadas em 2002. Um levantamento municipal estima que faltem aproximadamente 133 mil casas para responder às necessidades do país.
Apesar da falta de oferta, os Censos de 2021 identificaram cerca de 700 mil alojamentos vagos, correspondentes a 12% do parque habitacional português. Este número inclui imóveis disponíveis para venda ou arrendamento, bem como habitações em obras.
O acesso à propriedade também está a recuar. Em 2025, a proporção de portugueses a viver em casa própria caiu para 71,2%, o valor mais baixo dos últimos 12 anos, num contexto em que os preços da habitação continuam a afastar-se da capacidade financeira das famílias.