“O regresso do crédito privado aos países de rendimento baixo e médio é bem-vindo, mas estes países estão a contrair mais dívida, a pagar mais e, em muitos casos, a deixar menos recursos para o desenvolvimento a longo prazo”, disse o líder do departamento de estatística e de dados de desenvolvimento do Banco Mundial, Haishan Fu, no relatório.
A dívida, afirma, “deve ser “gerida de forma responsável”.
O Relatório sobre a Dívida Internacional de 2026 do Grupo Banco Mundial salienta que apesar de o acesso ao financiamento ter melhorado para a generalidade dos países em desenvolvimento, o custo de ir aos mercados financeiros não baixou.
Os elevados encargos da dívida nos países mais pobres ameaçam impedir investimentos essenciais no desenvolvimento das economias, nomeadamente na África subsaariana, alerta.
“Muitos governos emitiram novas obrigações para recomprar dívida que estava a vencer, suavizando os perfis de reembolso sem reduzirem significativamente os saldos da dívida, muitas vezes a taxas de juro mais elevadas”, refere o Banco Mundial.
Entre janeiro e agosto deste ano, refere, mais de 10 países já tinham excedido o volume de emissões previsto para todo o ano.
Com exceção de Portugal, que está na categoria de países de rendimento alto, todos os restantes países lusófonos (Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, São Tomé e Príncipe, Moçambique e Timor-Leste) recaem na classificação do Banco Mundial para grupos de rendimento baixo e médio, tradicionalmente associados às economias em desenvolvimento.
Os países elegíveis para financiamento ao abrigo da Associação Internacional para o Desenvolvimento, um organismo do Banco Mundial que financia os países mais pobres, “pagaram, em média, 8,2% sobre novos compromissos com credores privados em 2025, a taxa mais elevada desde 1989, e 9,4% sobre novas obrigações”.
O relatório do Banco Mundial é mais um alerta sobre os perigos da dívida excessiva dos países em desenvolvimento, que enfrentam não só uma redução da ajuda internacional, como um aumento das taxas de juros, em comparação com os valores cobrados a países percecionados como mais seguros.
“As pressões do serviço da dívida mantiveram-se graves num contexto de taxas de juro globais elevadas; os países de rendimento baixo e médio pagaram 1,4 biliões de dólares [1,2 biliões de euros] em capital e juros em 2025, um aumento de 1,9% que marcou o quinto aumento anual consecutivo”, lê-se no relatório.
No relatório, aponta-se que “no que diz respeito especificamente aos emitentes da África Subsariana, a taxa de juro média ponderada da dívida pública subiu de 8% em 2025 para 8,8% até meados de agosto de 2026.
Além disso, acrescenta, “o prazo médio de vencimento destes novos títulos da região encurtou de 10,4 anos para 8,9 anos, o que representa uma deterioração simultânea, tanto do custo como do prazo de acesso ao mercado”.
Para estes países, “a combinação de cupões mais elevados e prazos de vencimento mais curtos sinaliza uma mudança particularmente adversa nas condições de financiamento, o que agrava a dificuldade das situações orçamentais”, conclui o Banco Mundial.