Negociações sobre concursos prosseguem hoje com protesto em frente ao Ministério da Educação

As negociações entre o Governo e as organizações sindicais do setor sobre o regime de concursos de professores prosseguem hoje, com duas reuniões durante a manhã, estando também marcado um protesto em frente ao Ministério da Educação.

Depois de duas reuniões, na quarta-feira, com a Federação Nacional da Educação (FNE) e cinco sindicatos, a tutela recebe hoje a Federação Nacional dos Professores (Fenprof) e outras cinco organizações, incluindo o STOP e o SIPE, promotores de duas das greves em curso nas escolas.

Ao mesmo tempo que estiverem a decorrer as reuniões, professores vão concentrar-se em frente ao Ministério da Educação, num protesto organizado pela Fenprof em convergência com outros sete sindicatos.

As negociações para a revisão do regime de recrutamento e mobilidade de pessoal docente começaram em setembro e a última reunião foi há mais de dois meses, em 08 de novembro.

No dia em que iniciou a terceira ronda (quarta-feira), o ministro da Educação, João Costa, anunciou o conjunto de propostas sobre a seleção e colocação de professores que apresentaria às organizações.

Entre as principais novidades, o Governo pretende aumentar o número de quadros de zona pedagógica, de 10 para 63, reduzindo a sua dimensão, fixar professores nos quadros de escola em 2024, integrar 10 mil docentes ainda este ano, reduzir o recurso a contratados e aumentar as vagas de acesso aos 5.º e 7.º escalões.

O secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, reagiu de imediato e considerou que, apesar de algumas propostas serem melhores, o documento “tem outros aspetos que mantêm o mesmo caráter negativo”.

As propostas também não convenceram a presidente do Sindicato Independente de Professores e Educadores (SIPE) que, em declarações à Lusa, reconheceu melhorias, mas alertou para a necessidade de discutir outras reivindicações dos docentes, que “chegaram ao limite”.

As duas organizações sindicais, que integram a plataforma informal que convocou a greve por distritos em curso, lamentam, por outro lado, que o Ministério da Educação não apresente propostas concretas sobre outras matérias.

Por esse motivo, Mário Nogueira defendeu que os professores continuam a ter motivos para fortalecer a luta e exigiu que o Governo aceite discutir temas como o tempo de serviço dos professores, o fim das vagas, a revisão do modelo de avaliação de desempenho e “o combate, de facto, à precariedade.

Por seu turno, Júlia Azevedo, do SIPE, não conseguiu ainda precisar se as mudanças nos concursos serão suficientes para suspender a luta promovida pelo sindicato, que no início do segundo período iniciou uma greve parcial ao primeiro tempo de aulas de cada docente, à margem da greve por distritos que promoveu em convergência com outras organizações.

As posições são parcialmente partilhadas pelo secretário-geral da FNE que, no final da reunião negocial, na quarta-feira, disse aos jornalistas que as propostas apresentadas por João Costa ainda eram “bastante poucochinho”, apesar de se manifestar otimista quanto ao futuro das negociações sobre o tema.

Ainda assim, não afastou o recurso a outras formas de luta, incluindo a greve, para “dar força à negociação”, mas também porque o Ministério da Educação não ofereceu respostas para um conjunto de outras reivindicações.

Entretanto, a Federação anunciou que iria participar na manifestação de professores de 11 de fevereiro, em Lisboa, promovida pela plataforma de organizações sindicais, e que está a ponderar juntar-se à greve por distritos, ameaçando também abandonar as negociações se o Ministério não apresentar um calendário negocial, com propostas concretas para responder às reivindicações dos docentes.

Entre os sindicatos menos representativos, recebidos na quarta-feira, o presidente do Sindicato dos Educadores e Professores Licenciados (SEPLEU) disse, à saída da reunião, que “há ainda muitas matérias para negociar e os professores não se vão contentar com pequenas migalhas” e o Sindicato Nacional dos Professores Licenciados (SNPL) afirmou, na quinta-feira, em comunicado, que os professores não se habituam, nem se resignam.

Esta terceira ronda de negociações decorre num momento de forte contestação, estando a decorrer, atualmente, três greves distintas convocadas por várias organizações sindicais.

Últimas do País

O coordenador da Comissão de Trabalhadores do INEM, Rui Gonçalves, denunciou hoje um "forte desinvestimento" no Instituto nos últimos anos e lamentou a existência de "dirigentes fracos", defendendo uma refundação que garanta a resposta em emergência médica.
A Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) abriu hoje dois inquéritos para apurar as circunstâncias que envolveram as mortes de uma mulher em Sesimbra e de um homem em Tavira enquanto esperavam por socorro.
Portugal regista desde o início de dezembro um excesso de mortalidade de cerca de 22% associado ao frio e à epidemia de gripe, com aumento proporcional das mortes por doenças respiratórias, segundo uma análise preliminar da Direção-Geral da Saúde (DGS).
A enfermeira diretora da ULS Amadora-Sintra demitiu-se do cargo, alegando não existirem condições para continuar a exercer funções, anunciou hoje a instituição.
O INEM e a Liga dos Bombeiros Portugueses acordaram hoje um reforço de meios permanentes ao serviço da emergência médica, ainda não quantificado, mas que inicialmente se vai focar em responder a constrangimentos na margem sul de Lisboa.
Do Seixal a Sesimbra e a Tavira, o padrão repete-se: três pessoas morreram em diferentes pontos do país após esperas prolongadas por assistência médica, num retrato da rutura do socorro.
O Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) abriu uma auditoria interna aos procedimentos associados ao caso da mulher que morreu na Quinta do Conde, Sesimbra, depois de esperar mais de 40 minutos por socorro.
O Tribunal Judicial de Leiria começa a julgar no dia 23 um professor acusado de dois crimes de maus-tratos em concurso aparente com dois crimes de ofensa à integridade física qualificada.
O atraso no socorro voltou a ter consequências fatais. Uma idosa morreu na tarde de quarta-feira, na Quinta do Conde, após uma longa espera por assistência médica, com a ambulância mais próxima a mais de 30 quilómetros.
O Tribunal de Santarém condenou a prisão efetiva um homem responsável por três incêndios florestais, dois deles junto a zonas habitadas. A autoria foi confessada e considerada plenamente provada, apesar da tentativa de disfarçar os crimes alertando o 112.