Apenas um em cada quatro alojamentos está adequado ao número de residentes

Apenas um em cada quatro alojamentos contém o número de divisões adequado ao número de habitantes, com 12,7% em situação de sobrelotação e 63,6% com mais divisões do que o necessário, segundo o INE.

“Em 2021, 63,6% dos alojamentos de residência habitual encontravam-se sublotados e 12,7% sobrelotados (com carência de pelo menos uma divisão), pelo que, apenas 23,7% dos alojamentos se poderiam considerar adequados ao número de pessoas que neles residiam”, aponta o estudo “O que nos dizem os Censos sobre a habitação”, hoje apresentado na sede do Instituto Nacional de Estatística (INE), em Lisboa.

O estudo, baseado em dados recolhidos durante os Censos 2021, refere que entre os 4.142.581 alojamentos familiares clássicos de residência habitual, “cerca de 28,9% tinham uma divisão em excesso e 15,3% apresentavam três ou mais divisões excedentárias”.

Já 9,7% dos alojamentos necessitam de mais uma divisão atendendo ao agregado, 2,3% de mais duas divisões e 0,7% de mais três divisões.

As regiões autónomas de Madeira e Açores e o Algarve eram as regiões com maior proporção de alojamentos com falta de pelo menos uma divisão.

A Região Autónoma da Madeira apresentava, também, a menor proporção de alojamentos sublotados (49,2%), sendo seguida pela Área Metropolitana de Lisboa (56,8%) e pelo Algarve (57,1%).

Através do Índice de Lotação dos alojamentos sublotados em 2021, o INE contabilizou 27 municípios com proporções de alojamentos sublotados entre 81% e 86%, destacando Pampilhosa da Serra (85,9%), Mortágua (84,5%) e Miranda do Douro (84,1%).

Em sentido inverso, havia 35 municípios com proporções de alojamentos sobrelotados entre 16,0% e 30,0%. Câmara de Lobos (30,1%), Ribeira Grande (25,8%) e Albufeira (25,3%) apresentavam os maiores valores a nível nacional, tendo o INE destacado, também, Odemira (20,5%) e Amadora (19,7%).

Na sua intervenção, o investigador do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), António Vilhena, abordou os dados recolhidos e comparou-os com 2011, destacando o aumento de alojamentos clássicos face ao do número de agregados, mas alertou que tal não resolve o problema da habitação em Portugal”.

“Este superavit não significa que se consiga dar resposta às carências que existem”, alertou Vilhena, que pediu uma “análise mais profunda destes dados”.

“Há carências que continuam depois de 10 anos”, concluiu.

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