Terror em Lisboa: afegão assassina duas mulheres à facada e fere homem com gravidade

Abdul Bashir, afegão de 28 anos, assassinou à facada, esta terça-feira, duas mulheres portuguesas e feriu com gravidade um professor, no Centro Ismaili, em Lisboa. O ataque foi perpetrado com o recurso a uma faca de grandes dimensões, o que levou a polícia a ter de neutralizar o atacante com recurso a arma de fogo, depois de este avançar na direção dos agentes com a faca na mão.

Sabe-se que o refugiado afegão estava a ter uma aula de português quando, depois de receber um misterioso telefonema, desferiu um violento ataque que acabou por vitimar Farana Sadrudin, de 49 anos e responsável pela fundação Focus Europa, uma associação de assistência humanitária e Mariana Jadaugy, uma assitente social de 24 anos.

O autor do ataque, de nacionalidade afegã, viúvo e pai de três filhos, esteve num campo de refugiados em Lesbos, na Grécia, de onde viajou para Lisboa, em outubro de 2021, ao abrigo de um acordo entre Portugal e a Grécia, com o patrocínio do Imamat Ismaili/Rede Aga Khan para o Desenvolvimento.

Em Portugal, vivia com os filhos num andar em Odivelas e ainda não tinha encontrado trabalho. Alguns membros do Centro ismaelita relatam que já se tinham registado momentos de tensão entre o autor do ataque e professores daquele centro.

O ministro da Administração Interna, José Luís Carneiro, afirmou que “tudo leva a crer que se trata de um ato isolado”, acrescentando que as circunstâncias e as motivações do crime estão a ser alvo de investigação, e alertando para a necessidade de “evitar análises precipitadas”.

O governante indicou que a deslocação da família do atacante para Portugal ocorreu ao abrigo da cooperação europeia e o homem tem permanecido no país “com uma vida bastante tranquila”, sendo apoiado pela comunidade ismaelita.

“Pelas informações de que dispomos, beneficiava do apoio da comunidade ismaelita, no que respeita ao conhecimento das línguas, no cuidado alimentar, no cuidado com as crianças menores. Estavam todos em profunda consternação pelo facto de, aparentemente, se tratar de um cidadão com fácil relação com todos aqueles que viviam a vida desta comunidade”, sublinhou o governante.

Ladeado pela ministra da Justiça, Catarina Sarmento e Castro, e pelo diretor nacional da PSP, Magina da Silva, o responsável pela pasta da Administração Interna apelou à calma.

“Estes momentos exigem, como todos bem sabem, pela sensibilidade destes assuntos, uma grande serenidade e um grande discernimento na forma como se observam e como se analisam os factos”, argumentou.

A ministra dos Assuntos Parlamentares, Ana Catarina Mendes, que tutela a área das Migrações, deslocou-se também ao Centro Ismaili para prestar condolências aos familiares das vítimas, segundo fonte do Governo. À entrada, a ministra não prestou declarações aos jornalistas.

Entretanto o diretor nacional da Polícia Judiciária, Luís Neves, veio afastar suspeitas de terrorismo, afirmando mesmo que, neste momento, “estão afastados todos os sinais de que possamos estar aqui perante um crime motivado religiosamente — ou seja, terrorismo”.

No entanto, o Correio da Manhã avançou com a informação de que Abdul Bashir era, na verdade, um dissidente da comunidade ismaeli.

Citando as autoridades, o jornal diário explica que a suspeita surgiu na sequência de uma fotografia partilhada nas redes sociais pelo homem nacionalidade afegã e na qual surge ao lado do líder dos Naderi.

Os Naderi são uma comunidade que inicialmente pertencia à comunidade ismaeli, mas que entrou em rota de colisão com o líder espiritual Aga Khan e, por isso, afastou-se.

Assim, e ao que tudo indica, Abdul pertencia a uma comunidade rival da comunidade ismaeli, a mesma que, em Lisboa, lhe prestava apoio e aos seus três filhos.

CHEGA exige explicações do Governo

O CHEGA já chamou ao parlamento o ministro da Administração Interna, para dar todas as explicações sobre este caso, tendo o requerimento sido chumbado, com os votos contra de PS e BE. Para além disso, vai agendar um debate com urgência, no parlamento, sobre imigração, segurança e terrorismo”, afirmou André Ventura em declarações aos jornalistas na Assembleia da República.

O líder do CHEGA considerou que “há questões que têm de ser feitas” sobre os cidadãos afegãos que chegaram a Portugal e “que controlo foi feito” ou ainda, se a “guerra entre sunitas e xiitas pode ou não estar a ser importada para Portugal”.

Ventura considerou que existe um “descontrolo na imigração” e apontou que o CHEGA alertou “para a necessidade imperiosa de um controlo rigoroso” sobretudo de “cidadãos oriundos de alguns estados falhados, ou estados onde impera a violência”.

“Muitas destas pessoas não sabemos quem são, que estatuto ou que historial trazem nem que perigos acarretam pela sua presença”, afirmou.

Ventura considerou depois que “há responsabilidades, quer do Presidente da República, quer do Governo”, sustentando que “patrocinaram estas receções durante os últimos anos”.

André Ventura apelou também às autoridades que esclareçam se este ataque está a ser investigado como um ato terrorista.

“Seja terrorismo ou não seja”, prosseguiu, na opinião do CHEGA “foi esta política de portas abertas, de nenhum controlo” que se traduziu “neste resultado”.

Nesta declaração aos jornalistas, André Ventura deixou ainda uma palavra à família das vítimas e à vítima que ficou ferida e manifestou a sua solidariedade para com a comunidade ismaelita. 

Quem eram as duas vítimas mortais? 

 

Farana Sadrudin

Farana Sadrudin era sobrinha de Nazim Ahmad, o representante diplomático do Imamat Ismaili em Portugal e tinha 49 anos e era formada em Engenharia.

Atualmente era responsável pela fundação Focus Europa, uma organização de assistência humanitária vocacionada, entre outros assuntos, para o acolhimento de refugiados em Portugal, gerindo o seu processo de integração no nosso país.

Ocupou vários cargos de relevo na comunidade ismaeli, tendo sido representante da comunidade ismaelita em Madrid e Membro do Conselho de Conciliação e Arbitragem por Portugal na Comunidade Ismaili.

 

Mariana Jadaugy

Mariana tinha 24 anos e era assistente social no Centro Ismaili de Lisboa. Estava a tratar do processo de naturalização de Abdul Bashir, o assassino.

No seu trabalho, acompanhava o dia a dia dos refugiados, ajudando-os na “obtenção de estatuto legal, acesso a benefícios da assistência social e outros serviços gerais, tais como aulas de línguas, apoio à habitação, procura de emprego, oportunidades educacionais, acesso a cuidados de saúde”, entre outros.

Era licenciada em Ciências Políticas e Relações Internacionais pela Universidade Nova de Lisboa e mestre na mesma área.

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