CHEGA quer ouvir Medina sobre fim dos certificados de aforro da série E

© Folha Nacional

O CHEGA quer ouvir com urgência o ministro das Finanças no parlamento sobre o fim da comercialização da série E dos certificados de aforro, anunciou o líder do partido, que acusou o Governo de “enorme subserviência ao sistema bancário”.

Em declarações aos jornalistas na sede nacional do Chega, em Lisboa, André Ventura considerou que o fim da comercialização da série E dos certificados de aforro, e a sua substituição pela série F, com uma taxa de juro inferior, não foi “uma mera coincidência”.

Essa decisão, disse o líder do CHEGA, ocorre depois de o presidente do Banco CTT, João Moreira Rato, “ter dito e apelado ao Governo para interromper a emissão de certificados de aforro” e numa altura em que, “desde janeiro deste ano, saíram dos bancos cerca de 2,5 mil milhões de euros, praticamente o mesmo que entrou nos certificados de aforro”.

“Isto não é só uma cedência à banca, é uma enorme subserviência ao sistema bancário”, acusou.

Ventura sustentou que o fim da série E dos certificados de aforro, que entrou hoje em vigor, “vai limitar o rendimento de muitas famílias”, quando há um “aumento brutal” da taxa de inflação, do custo de vida e do crédito à habitação.

O líder do CHEGA antecipou assim que o seu partido vai aprovar o requerimento apresentado pelo PCP para ouvir o secretário de Estado das Finanças sobre o assunto, mas considerou que não se pode “ficar por aí”.

“Fernando Medina é o maior responsável do Ministério das Finanças e é ele que deve explicar aos portugueses por que razão houve esta mudança tão drástica e tão relevante para a vida e para as poupanças dos portugueses”, sustentou.

Ventura anunciou assim que o CHEGA vai apresentar um requerimento para ouvir com urgência, no parlamento, Fernando Medina, assim como o presidente da Agência de Gestão de Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP), Miguel Martin, por serem quem, “política e tecnicamente, mais conexos estão à situação intolerável de limitação” dos certificados de aforro.

A par deste requerimento, o presidente do CHEGA adiantou que o seu partido questionou também hoje Fernando Medina, através da Assembleia da República, sobre as condições em que os bancos vão poder passar a comercializar certificados de aforro.

Entre as perguntas endereçadas, Ventura referiu que o partido quer saber “quanto é que os bancos vão ganhar por estarem a comercializar os certificados de aforro” e se “vai ou não haver comissão de intermediação destes produtos financeiros”.

Se houver, adiantou o líder do CHEGA, não se trata “só de uma subserviência aos desejos da banca”, mas também de um “favorecimento ilegítimo à banca”, que passaria a “lucrar com os próprios certificados de aforro e a conseguir comissões sobre esta matéria”.

Acrescentando ainda que tem dúvidas sobre a legalidade da decisão do Governo, em particular pelo seu caráter “relativamente arbitrário de mexida, de suspensão, de alteração de remuneração, dos prazos e de garantias”, Ventura anunciou também que o CHEGA  questionou hoje a Provedora de Justiça, Maria Lúcia Amaral, sobre a matéria.

“É verdade que se trata de uma portaria, e é a verdade que se trata de uma decisão legítima do ponto de vista orgânico e formal, mas é (…) preciso perceber se estamos perante uma mera cedência à banca, ou uma interferência abusiva no mercado sem qualquer racionalidade política”, disse.

Ventura afirmou ainda que subscreve as palavras do Presidente da República – que pediu um “esforçozinho” à banca -, considerando que os bancos deveriam fazer “mais e melhor nesta matéria”.

Últimas de Política Nacional

O líder do CHEGA acusa comunistas de hipocrisia política e diz que foi durante a geringonça que os portugueses sofreram “uma brutal perda de poder de compra”.
O socialista Miguel Coelho suspendeu hoje o mandato de deputado à Assembleia Municipal de Lisboa, na sequência de investigações sobre adjudicações, inclusive na Junta de Freguesia de Santa Maria Maior.
Líder do CHEGA fala em “governação de improviso”, acusa Executivo de esconder falhas no SIRESP e diz que famílias continuam abandonadas meses após os estragos provocados pelas tempestades.
O presidente do CHEGA disse que vai tentar, na especialidade, "corrigir o que está mal" na reforma do Tribunal de Contas, mas espera que a lei não seja aprovada em votação final global e não entre em vigor.
O índice de coincidência parlamentar revela que sociais-democratas votam mais vezes da mesma forma que o PS do que o CHEGA coincide com a votação dos socialistas na Assembleia da República.
O presidente do CHEGA anunciou hoje o pedido de audição parlamentar urgente do ministro da Administração Interna, do secretário-geral adjunto demissionário António Pombeiro e do general Paulo Viegas Nunes, questionando a “integridade” desta escolha para o SIRESP.
O líder do CHEGA criticou hoje a “estratégia caricata” de Luís Montenegro de “recusar em público” as principais exigências do partido para rever a lei laboral, mas sem se excluir das negociações.
Demitiu-se do cargo, na sexta-feira, o secretário-geral adjunto do Ministério da Administração Interna (MAI), António Pombeiro. Foi o seu segundo pedido de demissão apresentado no espaço de um mês.
O presidente do CHEGA afirmou esta sexta-feira que “o bloco central de interesses” continua a impedir o apuramento da verdade sobre as FP-25, defendendo no Parlamento que Portugal continua sem conhecer toda a verdade sobre um dos períodos mais polémicos da democracia portuguesa.
O Parlamento aprovou hoje na generalidade uma recomendação do CHEGA que propõe ao Governo a transformação do Dia da Defesa Nacional em semana.