“PS e PSD estão em conluio a querer condicionar a justiça”

© Folha Nacional

O presidente do CHEGA não poupou o Partido Socialista e o Partido Social-Democrata a críticas na sequência das reações de dirigentes destes partidos relativamente às buscas que foram realizadas à sede do PSD e à casa do antigo presidente dos sociais-democratas, Rui Rio.

“Aquilo a que estamos a assistir é um conluio entre PSD e PS para condicionar a atuação da justiça”, começou por dizer André Ventura aos jornalistas na sequência das críticas que Rui Rio teceu às autoridades devido às buscas de que foi alvo por parte da Polícia Judiciária.

Além de Rui Rio, também o presidente da Assembleia da República se pronunciou sobre o tema, dizendo que a transmissão televisiva das buscas foi um “crime que foi praticado em direto” e que o “Ministério Público tem o dever, não só o direito, de esclarecer publicamente os cidadãos” sobre o sucedido. Quem também se pronunciou sobre o tema foi o ministro da Cultura. “Não devemos nem dramatizar excessivamente, nem aceitar a banalização deste tipo de investigação”, disse Pedro Adão e Silva à SIC.

E nesta senda, também o histórico socialista e presidente do Conselho Económico e Social, Francisco Assis, teceu pesadas críticas à atuação das autoridades, dizendo ter-se tratado de um “ataque às instituições democráticas portuguesas” e considerando que “há segmentos do sistema judicial que se estão a comportar de forma completamente inaceitável, em articulação com alguma comunicação social, pondo em causa princípios básicos num Estado de Direito”.

Por seu turno, o grupo parlamentar do PSD reuniu, tendo os deputados pedido ao partido que não desvalorizasse o caso e que exigisse, a respeito das buscas, uma audição no Parlamento da Procuradora-Geral da República, Lucília Gago. Face ao exposto, o líder do CHEGA veio a público lamentar as posições assumidas por dirigentes do PS e do PSD para com as autoridades policiais e judiciais.

“Todos dizem que querem mais investigações, mais eficácia da justiça e mais ação; mas quando toca ao PSD ou ao PS, levanta-se uma enorme ameaça de que se vai rever a lei ou condicionar a atividade judicial”, frisou.

Para o líder do CHEGA, “estas considerações não são corajosas ou ousadas” e “refletem o pior que o sentimento de impunidade dos portugueses pode ter: a ideia de que deve existir mais meios para a justiça para investigar todos os crimes, menos os que afetam os políticos”. Sobre uma hipotética revisão do regime de buscas, criando um regime especial para sedes e dirigentes partidários, à semelhança do que existe em relação a escritórios de advogados ou redações de jornalistas, André Ventura apontou ao “populismo” dessa discussão neste momento e limitou-se a referir que é uma reflexão que deve ser feita.

“Os jornalistas e os advoga- dos sempre foram, em regimes ditatoriais, perseguidos, especialmente perseguidos pelo seu trabalho no âmbito da liberdade de imprensa ou da liberdade de defesa judicial. Se faz sentido que os partidos sejam abrangidos por essa norma é uma reflexão que tem de ser feita, mas não em cima de buscas a um partido, se não vai parecer que estamos a ir a reboque do que aconteceu”, apontou.

E nesta senda recordou as di- versas vezes que o PS e António Costa se recusaram a discutir alterações à lei por considerarem que “não se deve legislar a quente, em cima de determinado acontecimento”. “E agora querem legislar em cima do acontecimento? Agora já não há problema? Esta posição só reforça a ideia de que o PS não está a cumprir a lei e está com medo de que os desenvolvimentos judiciais o possam abranger e afetar e, por isso, quer já em setembro proceder a alterações à lei”, rematou.

*com Agência Lusa

Últimas de Política Nacional

Um jornalista da rádio Observador foi retirado da sala durante uma audição da Comissão Parlamentar de Inquérito ao INEM, após uma decisão conjunta de PS e PSD. O CHEGA foi o único partido a votar contra.
O PS e o PSD chumbaram, na Comissão de Infraestruturas, Mobilidade e Habitação, um requerimento do CHEGA que pretendia ouvir especialistas independentes sobre a localização do futuro Aeroporto Luís de Camões, impedindo que dúvidas técnicas, económicas e ambientais fossem discutidas no Parlamento.
A presidente da Câmara de Alcácer do Sal, Clarisse Campos, retirou os pelouros ao vereador Mário Caixas, também eleito pelo PS, alegando quebra de confiança política num momento considerado decisivo para a recuperação do concelho após as recentes cheias.
O serviço ferroviário entre Lisboa e Setúbal, que atravessa a Ponte 25 de Abril, vai estar sob escrutínio no Parlamento. O CHEGA conseguiu aprovar uma audição para ouvir utentes, Fertagus e Governo sobre as condições de segurança, capacidade e qualidade do serviço.
O presidente do CHEGA, André Ventura, acusou esta quarta-feira o Governo de se vitimar e o primeiro-ministro de querer desviar atenções e usar as alterações à lei laboral como “manobra de distração”.
O Ministério Público arquivou 51 denúncias apresentadas contra cartazes do CHEGA, concluindo que os slogans não configuram crime e estão protegidos pela liberdade de expressão no debate político.
O Parlamento português recusou uma proposta do CHEGA que defendia que Portugal deveria fazer todos os esforços para reconhecer a Irmandade Muçulmana como organização terrorista.
O CHEGA entregou um projeto de resolução no parlamento em que recomenda ao Governo a adoção de "medidas urgentes" para assegurar o "regular funcionamento" dos tribunais e serviços do Ministério Público (MP) na Comarca de Portalegre.
O CHEGA apresentou um projeto de lei que propõe a criação da carreira especial de medicina dentária e a sua integração plena no Serviço Nacional de Saúde (SNS), para reforçar o acesso da população portuguesa a cuidados de saúde oral.
O líder do CHEGA defendeu hoje que o Governo deve "rasgar e começar novamente" as propostas de alteração à lei do trabalho e procurar no parlamento o consenso para esta reforma, manifestando disponibilidade para negociar.