Parlamento britânico quer Grupo Wagner na lista de organizações terroristas

© parliament.uk

Uma comissão parlamentar britânica acusou hoje o Governo do Reino Unido de ter “desvalorizado e subestimado” o grupo paramilitar russo Wagner ao longo dos anos e recomendou que o inclua na lista de organizações terroristas.

“Durante quase dez anos, o Governo minimizou e subestimou as atividades da rede Wagner, bem como as implicações de segurança para a Europa e a sua significativa expansão para África”, concluiu a comissão num relatório divulgado hoje.

Intitulado “Weapons for Gold: The Wagner Network Defused” (“Armas por Ouro: Rede Wagner Desativada”, numa tradução livre), o relatório de 82 páginas foi elaborado pela Comissão dos Assuntos Externos do Parlamento.

O Grupo Wagner foi fundado pelo empresário russo Yevgeny Prigozhin em 2014, e teve um papel preponderante na guerra da Rússia contra a Ucrânia até junho, quando se revoltou contra as chefias militares em Moscovo.

No relatório, a comissão exortou o Governo a agir de forma mais rápida e severa contra os atores com ligações ao Grupo Wagner, através de novas sanções, e a incluir urgentemente o grupo mercenário na lista de organizações terroristas.

“As sanções não são suficientes. O Reino Unido precisa de proscrever o grupo Wagner por aquilo que ele é: uma organização terrorista”, defendeu a presidente da comissão, Alicia Kearns, citada pela televisão britânica BBC.

A comissão considerou que o Governo tem agido de uma forma “notavelmente complacente” face às ações do Grupo Wagner e à prática crescente de muitos Estados optarem por contratar serviços de empresas militares privadas.

Para evitar a expansão de grupos deste tipo, apelou ao Governo para que ofereça alternativas de segurança e ajuda aos países que são obrigados a recorrer a estes serviços para fazer face a conflitos.

Além da Ucrânia, a comissão identificou a Síria, a Líbia, o Sudão, Moçambique, a República Centro-Africana e o Mali como países onde a atividade militar do Grupo Wagner foi detetada durante a última década.

Os membros da comissão concluíram que o grupo russo desenvolveu um modelo de negócio muito bem-sucedido e lucrativo nestes países, enriquecendo-se a si próprio e aos governantes seus clientes, na maioria das vezes à custa da população local.

“É profundamente lamentável que tenha demorado tanto tempo e que o Governo continue a dar tão pouca atenção a outros países para além da Ucrânia”, criticou a comissão no relatório, citado pela agência espanhola Europa Press.

“O facto de o Governo não estar a lidar com o Wagner leva-nos a concluir que existe uma total falta de conhecimento e de política em relação a outros grupos militares privados”, afirmou.

Este tema, segundo a BBC, tornou-se ainda mais relevante esta semana, uma vez que milhares de combatentes do Grupo Wagner se instalaram na Bielorrússia e anunciaram retoricamente o desejo de fazer uma incursão transfronteiriça na Polónia, um Estado da NATO.

Os membros da comissão utilizaram provas fornecidas por um dirigente bem colocado do Grupo Wagner que desertou, acrescentou a TV britânica.

Últimas de Política Internacional

O presidente do CHEGA, André Ventura, considerou hoje que o ataque de Israel e Estados Unidos contra o Irão "inquieta e gera incerteza", mas admitiu que, "começada a guerra, é fundamental alcançar os objetivos".
Uma proposta apresentada por Angie Roselló, porta-voz do partido espanhol de extrema esquerda Unidas Podemos, na autarquia de San Antoni, em Ibiza, está a gerar forte controvérsia.
O candidato presidencial e líder do CHEGA hoje “o derrube do regime de Nicolás Maduro“, após uma intervenção militar dos Estados Unidos da América na Venezuela, é “um sinal de esperança” para o povo daquele país e as comunidades portuguesas.
O Tribunal Constitucional indicou esta terça-feira que não admitiu as candidaturas às eleições presidenciais de Joana Amaral Dias, Ricardo Sousa e José Cardoso.
A Comissão Europeia anunciou hoje uma investigação formal para avaliar se a nova política da `gigante` tecnológica Meta, de acesso restrito de fornecedores de inteligência artificial à plataforma de conversação WhatsApp, viola regras de concorrência da União Europeia.
O Sindicato de Trabalhadores da Imprensa na Venezuela (SNTP) e o Colégio de Jornalistas (CNP), entidade responsável pela atribuição da carteira profissional, denunciaram hoje a detenção de um jornalista que noticiou a existência de um buraco numa avenida.
O Tribunal Constitucional da Polónia ordenou hoje a proibição imediata do Partido Comunista da Polónia (KPP), alegando que os objetivos e atividades do partido, refundado em 2002, violam a Constituição.
A Administração Trump suspendeu todos os pedidos de imigração provenientes de 19 países considerados de alto risco, dias após um tiroteio em Washington que envolveu um cidadão afegão, anunciou o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos.
Federica Mogherini, reitora do Colégio da Europa e ex-chefe da diplomacia da União Europeia (UE), foi indiciada pelos crimes de corrupção, fraude, conflito de interesse e violação de segredo profissional, revelou a Procuradoria Europeia.
O Presidente ucraniano apelou hoje para o fim da guerra, em vez de apenas uma cessação temporária das hostilidades, no dia de conversações em Moscovo entre a Rússia e os Estados Unidos sobre a Ucrânia.