Mais de mil médicos de família contra propostas do Governo para Unidades de Saúde familiar

Mais de mil médicos de família do Serviço Nacional de Saúde de todo o país assinaram uma carta em que se opõem às propostas do Governo que vão regular o funcionamento das Unidades de Saúde Familiar (USF).

© D.R.

Segundo um documento do movimento Médicos em Luta, a que a Lusa teve acesso, estas propostas acarretam “uma aceitação coerciva do regime de dedicação plena nas USF modelo B [cuja remuneração é associada ao desempenho], sob pena dos médicos serem deslocalizados do seu local de trabalho e verem os seus rendimentos substancialmente reduzidos”.

Atualmente, há cerca de 1,6 milhões de portugueses não tem médico de família.

“Não podemos aceitar decretos-leis que não respeitem os contratos de trabalho vigentes, a diversidade de contextos laborais, nem a vontade dos médicos e que comprometem seriamente direitos consagrados no Acordo Coletivo de Trabalho nº 2/2009”, acrescentam os 1.165 médicos que assinam a carta.

Os clínicos pretendem entregar a carta ao ministro da Saúde, Manuel Pizarro, um dia antes da próxima ronda negocial com os sindicatos médicos, prevista para o próximo dia 27.

Referem que sendo os cuidados de saúde primários a porta de entrada desejável dos utentes, não prescindem que “os mesmos sejam o garante da saúde da população, que se baseiem na excelência médica e que salvaguarde a dignidade dos profissionais de saúde, bem como dos utentes”.

“Algo está francamente comprometido nestas propostas, que terão, também por isso, sido aprovadas de forma unilateral, sem consideração pelos apelos, repetidos, em sede de negociações”, acrescentam.

Para os médicos, as propostas significam um retrocesso por comprometerem “a qualidade e a ética do ato médico”.

“Obrigar a aumentos do número de utentes por listas, incompatíveis com um trabalho digno e de qualidade que respeite o utente, como única forma de manter rendimentos, infligindo, inexoravelmente, um desgaste nos profissionais”, culminará, segundo o documento, no agravamento do, “já trágico, cenário de escassez de recursos humanos”, no SNS.

Os signatários esperam assim que seja possível “a rápida revisão dos diplomas, para uma melhor reforma dos cuidados de saúde e das condições do trabalho médico, essenciais para um funcionamento pleno do SNS”.

Quando foram conhecidas as propostas, em setembro, também a associação das Unidades de Saúde Familiar (USF) criticou o novo regime jurídico e funcionamento das USF, considerando que não valoriza adequadamente o desempenho, sobretudo para os enfermeiros de família e secretários clínicos.

Em comunicado, a Associação Nacional das Unidades de Saúde Familiar (USF-AN) dizia que as contas que fez mostram que, “mesmo com aumentos de cerca de 13% na remuneração-base (previstos só para os médicos de família), há perda de remuneração para cerca de metade das atuais equipas de saúde em relação à remuneração em modelo B, se se mantiverem as atuais condições”.

E lembrava que a maioria das USF já são modelo B, que a carga de trabalho é, na maior parte do tempo, “muito pesada” e insistia que esta “diminuição da remuneração pode fazer muitos profissionais acionarem a sua aposentação assim que puderem”, sublinhando que estão já nessa situação 400 médicos de família.

Últimas do País

A ministra da Justiça disse hoje que durante este ano vão ser criadas 670 vagas nas prisões, após uma reorganização dos estabelecimentos prisionais, uma vez que no ano passado se registou um aumento de mais de 700 presos.
Um professor de 38 anos foi detido na segunda-feira por ser suspeito de crimes de abuso sexual de crianças, em contexto escolar, contra um menor de 12 anos com perturbação neurológica permanente, informou hoje a Polícia Judiciária (PJ).
O Sindicato dos Médicos da Zona Sul revelou, esta terça-feira, que a "situação crítica" vivida nas urgências do Hospital Amadora-Sintra de sexta-feira para sábado levou à demissão da chefe e da subchefe da equipa da Urgência Geral.
A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) suspendeu 11 estabelecimentos comerciais "por violação dos deveres gerais de atividade" e instaurou um processo-crime por géneros alimentícios "avariados", foi hoje divulgado.
Número de utentes sem médico voltou a subir em dezembro: soma três meses consecutivos de agravamento e termina o ano com mais 40 mil pessoas a descoberto do que em 2024.
Os trabalhadores da Unidade Local de Saúde (ULS) de Coimbra apresentam níveis moderados de stress, ‘burnout’ e problemas de sono, que sugerem desgaste profissional acumulado, compatível com contextos de elevada pressão assistencial e organizacional.
Falta de profissionais, pico de gripe e corredores cheios levam equipa a protestar logo às 8 da manhã. Administração admite pressão extrema e promete soluções.
Portugal atravessa um ciclo raro e prolongado de excesso de mortalidade: há 26 dias consecutivos com óbitos acima do esperado, vários deles a ultrapassar os 400 mortos por dia.
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, promulgou hoje um diploma que altera a lei de revisão do Sistema Integrado de Gestão e Avaliação do Desempenho na Administração Pública (SIADAP).
O aeroporto de Lisboa é hoje reforçado com 24 militares da Guarda Nacional Republicana (GNR), uma medida do Governo para reduzir os tempos de espera na zona das chegadas.