Bastonário diz que “grito de alerta” dos médicos é ético e deontológico

O bastonário da Ordem dos Médicos classificou hoje o "grito de alerta" dos médicos como "absolutamente correto" do ponto de vista ético e deontológico e lembrou também a importância da "ética política".

© Facebook da Ordem dos Médicos

“O que o Código Deontológico diz, e o dr. Fernando Araújo [diretor executivo do SNS] sendo médico sabe, é que os médicos têm obrigação de fazer tudo na defesa dos cuidados de saúde prestados aos doentes”, afirmou Carlos Cortes.

Em declarações à Lusa a propósito de declarações ao jornal Público do diretor executivo do SNS, que afirmou que os médicos têm de reclamar direitos, “mas de uma forma que seja eticamente irrepreensível”, Carlos Cortes considerou o “grito de alerta” dos médicos “uma questão ética absolutamente correta, no respeito pelo Código Deontológico”.

“Os médicos têm de fazer tudo o que está ao seu alcance para que esses cuidados de saúde sejam dados, e sejam dados de forma adequada, e também têm de fazer tudo para alertar superiormente para as dificuldades que atravessam”, acrescentou o bastonário, lembrando que “não é só a questão da ética médica que é importante, mas também a ética política e institucional”.

E prosseguiu: “O dr. Fernando Araújo congrega aqui estas três. Ele é médico, tem de obedecer ao código deontológico dos médicos. Ele é político, neste momento, e também tem um alto cargo institucional, portanto, a Direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde é eticamente obrigada a ajudar a resolver os graves problemas do SNS”.

Carlos Cortes lamentou ainda o desconhecimento do diretor executivo quando declara que “são necessários mais médicos em Portugal”, dando o exemplo do Reino Unido, que quer duplicar o seu número de médicos até 2030.

“Em primeiro lugar, isto demonstra um grande desconhecimento, porque Portugal já fez essa trajetória. Portugal já duplicou [o numero de médicos] nos últimos 20 anos. Passou de 32.000 para 61.000 médicos, portanto, já fez essa duplicação”, afirmou, acrescentando que o país não precisa de mais médicos, mas de mais médicos no SNS.

Segundo disse, o SNS tem pouco mais de 20.000 médicos especialistas e cerca de 10.000 médicos em formação.

Voltando à questão ética, Carlos Cortes disse que o diretor executivo está no “lugar correto” para encontrar soluções para melhorar o SNS, tornando-o “mais atrativo, mais responsivo e com melhor acesso para os doentes”.

Carlos Cortes lamentou ainda que, na entrevista hoje publicada, não tenha sido referida a importância da formação médica para o país.

“O dr. Fernando Araújo tem uma grande responsabilidade (…) precisamente nessa área, em que vai ter de ajudar a formar os médicos especialistas que o país produz e em que vai ter de criar as condições dentro do SNS para existir uma boa formação, (…) para termos especialistas com habilitações adequadas e capacitados para tratarem os utentes do SNS”, sublinhou.

Questionado pela Lusa sobre o novo decreto-lei que altera o regime jurídico de reconhecimento de graus académicos e diplomas de ensino superior atribuídos por instituições estrangeiras e define um regime excecional de reconhecimento de graus estrangeiros em medicina, Carlos Cortes foi perentório: “Não podemos facilitar o reconhecimento das habilitações. É um erro muito grave”.

“A Ordem dos Médicos não vai facilitar, não vai permitir que médicos desqualificados exerçam em Portugal. Em primeiro lugar, pelos doentes, mas também porque Portugal que tem aqui um papel muito importante, porque faz parte da União Europeia, e todos os médicos que Portugal aceita para poderem trabalhar no SNS também podem trabalhar nos outros países da Europa”, insistiu.

Últimas do País

O líder parlamentar do CHEGA exigiu explicações a Fernando Alexandre sobre a segurança nas escolas e questionou as respostas do Governo perante as agressões a professores, alunos e auxiliares.
Apresentava-se como cuidador, exibia fotografias vestido de bombeiro e com trajes médicos e aproximava-se das vítimas através de serviços domiciliários. PSP identificou pelo menos 15 idosos lesados em Lisboa, Cascais e Oeiras. Suspeito, de 31 anos, ficou em prisão preventiva.
A Polícia Judiciária deteve quatro homens suspeitos de integrarem uma operação de rapto ordenada após um alegado roubo. Armas, falsos crachás da polícia e coletes balísticos estavam entre o material apreendido.
A GNR identificou 12 pessoas após o alerta para um possível desembarque de uma embarcação de alta velocidade, na madrugada de hoje, em Aljezur.
A Urgência de Ginecologia e Obstetrícia de Abrantes esteve encerrada 32 dias até meados de setembro, contra 50 em todo o ano de 2025, informou a ULS Médio Tejo, que aponta a falta de especialistas como principal dificuldade.
A Agência para a Integração, Migrações e Asilo registou uma subida superior a 50 vezes no número de notificações para abandono voluntário. Processos acumulados ajudam a explicar a escalada.
A Polícia Marítima apreendeu 99 jerricans carregados com cerca de dois mil litros de combustível na zona de Olho de Boi, em Almada. As autoridades suspeitam que a carga possa estar ligada à logística utilizada para abastecer embarcações rápidas associadas ao tráfico de droga.
As diligências estão relacionadas com suspeitas de alegadas escutas ilegais no caso Football Leaks. Procuradores procuram documentação que permita esclarecer o que aconteceu.
A Associação Nacional dos Cuidados Continuados (ANCC) revelou esta quarta-feira que nos últimos cinco anos fecharam mais de 750 camas nestas unidades, das quais mais de 260 só este ano, o triplo do ano passado.
O diploma que proíbe a ocultação do rosto em espaços públicos entra hoje em vigor, prevendo multas de até três mil euros para quem cobrir a cara, exceto por motivos de saúde, entre outros.