Bastonário diz que carreira médica “está obsoleta” e deve ser criada uma nova

O bastonário da Ordem dos Médicos (OM) afirmou esta quinta-feira que a carreira médica "está obsoleta", defendendo uma nova que seja transversal e acompanhe o médico ao longo da sua vida, independentemente do local onde trabalhe.

© Facebook da Ordem dos Médicos

“O nosso entendimento é que [a carreira médica] não deve ser só do Serviço Nacional de Saúde”, mas alargada a todos os setores e a todos os ministérios, disse Carlos Cortes, que falava à agência Lusa a propósito do Congresso Nacional da OM, que decorre entre hoje e sábado, no Porto, que tem como tema “A carreira Médica”.

A Ordem dos Médicos foi criada em 1938, assinalando 85 anos na sexta-feira. Em 1961 foi publicado o “Relatório das Carreiras Médicas”, coordenado pelo médico Miller Guerra, “documento estruturante daquilo que viria a ser, em 1979, o Serviço Nacional de Saúde”, recordou.

O bastonário adiantou que a carreira médica foi pensada fundamentalmente para o serviço público, mas com os anos os setores privado e social têm adquirido “uma dimensão muito grande”.

“O contributo do setor privado e social é extremamente importante para o país e é perfeitamente possível um médico do ponto de vista técnico, científico, formativo, desenvolver a sua carreira no setor privado”, defendeu.

Nesse sentido, a OM pretende que “a carreira médica seja transversal” e acompanhe o médico ao longo da sua vida, independentemente do local onde trabalha e do que estiver a fazer como, por exemplo, investigação, ensino, formação médica.

Para isso, a ordem pretende desenvolver nos próximos meses “uma reflexão muito profunda sobre o Serviço Nacional de Saúde e sobre o sistema de saúde na sua globalidade em Portugal”.

A proposta é alargar a carreira médica aos setores privado e social, mas também aos outros ministérios, nomeadamente da Justiça, da Defesa, da Administração Interna e do Ensino Superior.

“Aquilo que se pretende é que a carreira médica seja mais flexível, seja mais adaptativa ao local, ao cenário onde o médico está a atuar”, explicou.

Carlos Cortes avançou que a OM vai criar um grupo de trabalho, referindo que estão a aguardar que “o Ministério também faça o seu trabalho nesta área e desenvolver um grupo de trabalho para a criação da nova carreira médica” desejada “há muito tempo”.

“A carreira médica que existe hoje está obsoleta, está desatualizada e infelizmente não é respeitada, não é tida em conta, e está completamente esquecida no desenvolvimento do Serviço Nacional de saúde”, declarou.

Para o bastonário, é “profundamente lamentável” a falta de intervenção e de contributo do Ministério da Saúde nos últimos anos para mudar e renovar a carreira médica.

No ano em que a OM completa 85 anos, o bastonário apontou como um desafio a revisão do estatuto da Ordem dos Médicos, afirmando que muitas das suas competências estão a ser retiradas.

“Neste momento, está a tentar retirar-se muitas competências da sociedade civil e não é bom para a democracia, não é bom, neste caso para o desenvolvimento da Medicina, esta associação tornar-se menos independente, mais permeável à intromissão do poder político nas ordens profissionais e, neste caso em concreto, na Ordem dos Médicos”, criticou, rematando: “São sinais dos tempos”.

Mas, assegurou, a OM vai manter-se na sua “linha histórica” de estar sempre presente “nos momentos mais difíceis que o país atravessou”.

“Esteve presente na ditadura, esteve presente na construção do Serviço Nacional de Saúde e esteve presente muito recentemente quando foi a pandemia de covid-19”, disse, salientando que a OM também vai dar o seu contributo, perante “a incapacidade absoluta do Ministério da Saúde”, para o país tentar ultrapassar a crise no Serviço Nacional de saúde.

Últimas do País

O presidente da Assembleia da República remeteu para conhecimento dos deputados da Comissão de Assuntos Constitucionais a exposição que recebeu do juiz desembargador Ivo Rosa com acusações "graves" à atuação do Ministério Público em diversos inquéritos-crime.
A cerimónia de sexta-feira, na Aula Magna, na Reitoria da Universidade de Lisboa, contará com a presença do Presidente da República, António José Seguro, e com muitas intervenções de representantes da Ordem dos Advogados, mas que o bastonário João Massano pretende que seja um momento também para olhar para fora da profissão.
Cerca de 100 concelhos de 12 distritos de Portugal continental apresentam hoje um perigo máximo de incêndio rural, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
Os 24 acidentes em passagens de nível registados em Portugal em 2025 causaram nove mortos, segundo um comunicado oficial divulgado hoje, no qual se destaca que o número não tem diminuído "de forma correspondente" à redução destas infraestruturas.
Os alunos do 4.º que não realizaram a prova de Monitorização das Aprendizagens de Matemática devido à greve dos trabalhadores não docentes de sexta-feira vão fazê-lo no dia 19 de junho, informou hoje o Ministério da Educação.
O presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), Luís Laginha de Sousa, alertou hoje para as limitações à capacidade de utilização de recursos que o supervisor tem, o que lhe "retira flexibilidade e operacionalidade".
Doze concelhos dos distritos de Faro, Portalegre, Santarém, Castelo Branco e Évora apresentam hoje um perigo máximo de incêndio rural, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
Um homem de 47 anos foi detido na segunda-feira em flagrante delito por ter ateado um incêndio florestal no concelho de Lousada, distrito do Porto, anunciou hoje o Comando Territorial da GNR do Porto.
Portugal está entre os países europeus que mais processa cocaína, tendo sido desmantelados em 2024 quatro laboratórios e apreendidas 23 toneladas, a sexta maior quantidade entre os Estados-Membros da União Europeia (UE).
Os dados realçam o aumento da proporção de partos de mães de nacionalidade estrangeira de 26,3%, em 2024, para 28,8%, em 2025, com as parturientes de nacionalidade estrangeira a residirem sobretudo em municípios do Algarve e da Grande Lisboa.