Ordem dos Enfermeiros avisa que novos estatutos podem ameaçar qualidade dos cuidados de saúde

A Ordem dos Enfermeiros avisou hoje que os estatutos aprovados na sexta-feira pelo parlamento “podem colocar em causa a qualidade da prestação de cuidados de saúde”, pedindo que se inicie, de imediato, nova revisão da lei.

© D.R.

 

“Lamentamos que, apesar do veto do senhor Presidente da República e dos nossos alertas sucessivos para os problemas e erros, o diploma tenha sido aprovado sem as alterações que se impunham”, afirmou o bastonário da Ordem dos Enfermeiros, Luís Filipe Barreira, em comunicado hoje divulgado.

“Não existe um único motivo que justifique esta atuação. Em alguns pontos, estamos mesmo a inviabilizar a qualidade na prestação de cuidados de saúde, o que é incompreensível”, alertou.

De acordo com Luís Filipe Barreira, o diploma aprovado coloca em causa a integridade da prestação de cuidados de saúde quando “permite a utilização ou transferência de práticas, técnicas e competências próprias da profissão a profissionais não-enfermeiros, ou quando se restringe a competência de prescrição dos enfermeiros, não se prevendo que os atos da profissão são exclusivos dos enfermeiros”.

Segundo o bastonário, se “o bom senso imperar na próxima legislatura”, deverá ser iniciada, de imediato, uma nova revisão da lei.

Uma revisão “que não esteja sujeita a agendas políticas, com o tempo e tranquilidade necessários a acautelar a autonomia da Ordem, e, sobretudo, adequada a proteger os beneficiários dos cuidados de saúde prestados pelos enfermeiros”, defendeu.

Os estatutos da Ordem dos Enfermeiros foram aprovados na sexta-feira pela maioria socialista no parlamento apesar de terem sido vetados pelo Presidente em dezembro passado.

A votação ocorreu depois de os documentos relativos à alteração dos estatutos terem sido reapreciados, na quarta-feira, na Assembleia da República.

O diploma já tinha sido aprovado pelo PS em outubro, mas Marcelo Rebelo de Sousa vetou-o depois de ouvir o bastonário, considerando que não estava assegurada “a desejável complementaridade funcional das profissões de saúde, devendo as práticas ser exercidas em complementaridade no superior interesse dos beneficiários dos cuidados, sem haver prestação de cuidados de uma forma compartimentada”.

No comunicado hoje divulgado, o bastonário dos enfermeiros refere ainda que a confirmação da revisão dos estatutos da Ordem “põe em causa a autonomia, prevista constitucionalmente, da instituição”.

“Não se compreende a ausência de órgãos técnicos no elenco dos órgãos da Ordem”, afirmou, acrescentando que “esses órgãos têm uma importância significativa na evolução da especialização dos cuidados de enfermagem, bem como na criação das áreas de especialidade”.

Além disso, adiantou, a falta dos órgãos técnicos “não só causa uma discriminação negativa da Ordem dos Enfermeiros relativamente às associações públicas profissionais de outras áreas da saúde, onde aqueles órgãos se encontram expressamente previstos, como dificulta, de forma inaceitável, a evolução da especialização na prestação de cuidados de saúde”.

Últimas do País

O secretário-geral da Câmara de Lisboa, Alberto Laplaine Guimarães, um dos quatro detidos na operação 'Lúmen', que investiga alegados crimes económicos em contratos para a instalação de luzes de Natal, foi suspenso de funções, decidiu hoje o juiz de instrução.
Quase metade dos 109 polícias do Comando Regional da PSP da Madeira que participaram num estudo científico apresentavam síndrome metabólica ou estavam já classificados com risco cardiovascular elevado a 10 anos, foi hoje anunciado.
O diretor do Agrupamento de Escolas da Sertã repudiou hoje as alegadas situações de violência sobre duas professoras e disse que ativou de imediato os mecanismos adequados em articulação com as entidades competentes.
Cerca de 57,3 mil motas foram fiscalizadas presencialmente nos últimos sete dias nos distritos de Vila Real, Viseu e Porto, tendo sido registadas 12,1 mil infrações, indicou esta terça-feira a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR).
Miguel morreu de cancro em apenas 10 dias. Pais ficaram sem apoio do Estado para o funeral porque o filho “não tinha carreira contributiva”.
Portugal registou 1.536 casos de tuberculose em 2024, o valor mais baixo de sempre, segundo um relatório da Direção-Geral da Saúde, que mostra que entre os imigrantes a taxa é quase três vezes superior à média nacional.
Miguel Paiva chega à Unidade Local de Saúde de São José sob investigação do Ministério Público por suspeitas em contratos públicos. Governo avança com nomeação apesar das dúvidas.
Uma idosa foi encontrada morta na sua residência, esta segunda-feira, no concelho de Machico, Madeira, e terá sido vítima de "crime violento", disse à Lusa o oficial de dia à Direção Nacional da PSP.
A GNR apreendeu uma lancha de alta velocidade, transportada num veículo automóvel, no concelho de Grândola, por existirem "fortes suspeitas" de estar associada ao tráfico internacional de droga, anunciou hoje aquela força de segurança.
Um homem de 40 anos foi detido na segunda-feira por suspeita de ter abusado sexualmente de duas sobrinhas menores em Alenquer, informou hoje a Polícia Judiciária (PJ).