Transparência Internacional preocupada com avaliação sobre combate à corrupção em Portugal

A organização Transparência Internacional Portugal (TI Portugal) declarou hoje ver "com enorme preocupação" os resultados revelados nos mais recentes relatórios do Grupo de Estados contra a Corrupção do Conselho da Europa (GRECO) sobre o combate ao crime no país.

O GRECO concluiu que Portugal fez progressos limitados na prevenção da corrupção em relação a deputados, juízes e procuradores, precisando que cumpriu de forma satisfatória apenas três das 15 recomendações que foram feitas em 2015, enquanto as restantes 12 foram “parcialmente concretizadas”.

No segundo relatório da quarta ronda de verificação do cumprimento dos aconselhamentos, divulgado na segunda-feira, o GRECO considera assim que o nível de cumprimento das recomendações permanece “globalmente insatisfatório” e solicita às autoridades portuguesas que apresentem até final do ano relatórios sobre os progressos realizados na concretização das recomendações pendentes.

“A falta do cumprimento total, por parte do nosso país, das recomendações do GRECO já não é uma surpresa, pois nos últimos anos temos sempre tido um nível de cumprimento «globalmente insatisfatório»”, disse Margarida Mano, Presidente da TI Portugal, citada num comunicado da organização não-governamental.

Adiantou considerar que “esta é uma situação muito preocupante, sendo que, e apesar das reformas dos últimos anos, como o Pacote de Transparência de 2019 e a Estratégia Nacional Anticorrupção 2020-2024, as alterações não lidam com os problemas de fundo, como a prevenção e gestão de conflitos de interesse”.

“Não basta criar leis e mecanismos anticorrupção, é necessário aplicá-los na prática”, afirmou Margarida Mano.

No relatório da quinta ronda de avaliação, que incide sobre o governo e forças e serviços de segurança, divulgado há uma semana, o órgão anticorrupção do Conselho da Europa recomenda a Portugal que melhore a eficácia do seu sistema de promoção da integridade e robusteça a prevenção da corrupção, refere a TI Portugal.

Embora reconheça os avanços no quadro jurídico e institucional anticorrupção, o GRECO alerta para “deficiências em termos de eficácia”, o que depende da “plena operacionalização do Mecanismo Nacional Anticorrupção (MENAC) e da Entidade para a Transparência”, adianta.

Em relação a este relatório, a TI Portugal insta o Governo “a cumprir com todas as 28 recomendações” feitas pelo órgão do Conselho da Europa, o que será avaliado pelo GRECO em 2025.

“Os Relatórios do GRECO revelam que, mesmo quando são tomadas medidas, não existe a preocupação de as tornar efetivas, de medir o seu impacto, de lhes dar um sentido de urgência na sua aplicabilidade, de criar condições para que possam contribuir já hoje para o fim que visam: prevenir e lutar contra a corrupção”, indicou Margarida Mano.

 

Últimas do País

Os pais de um menino de três anos foram detidos por suspeitas de maus-tratos físicos, psicológicos e psíquicos à criança, em Vendas Novas, no distrito de Évora, divulgou hoje o Ministério Público.
Um homem, de 44 anos, ficou em prisão preventiva, na ilha de São Miguel, Açores, por ser suspeito de 29 crimes, entre os quais de condução ilegal, coação sobre funcionário e ofensas à integridade física, anunciou hoje a PSP.
O novo sistema informático de colocação de médicos no internato da especialidade começou a funcionar, mas as primeiras 161 colocações ficaram marcadas por falhas. O processo teve de ser repetido, aumentando a desconfiança entre os candidatos.
Um jovem foi atingido por dois tiros durante um ataque protagonizado por quatro homens encapuzados, a poucos metros da Câmara Municipal da Amadora. Os suspeitos fugiram e a Polícia Judiciária está a investigar o caso.
O Governo investiu milhões de euros na expansão da rede de creches, mas a oferta continua a não chegar para todas as crianças. Nem os fundos do PRR nem o programa Creche Feliz conseguiram eliminar a falta de vagas.
Milhões de euros em refeições escolares continuam por pagar, deixando as autarquias com encargos acumulados. Os pagamentos em atraso dizem respeito às refeições fornecidas aos alunos nas escolas.
Um administrador de insolvências foi condenado a oito anos e seis meses de prisão por envolvimento num esquema de burlas que ultrapassou um milhão de euros. Os lucros obtidos através das operações fraudulentas eram colocados em nome da namorada.
A presidente do Sindicato dos Médicos do Norte (SMN) acusou a ministra da Saúde de não cumprir a promessa sobre o INEM, referindo que o instituto está com menos de 30 médicos no quadro quando estão previstos 70 lugares.
A Polícia Judiciária (PJ) deteve uma mulher com um mandado de detenção internacional para cumprimento de uma pena de nove anos e quatro meses por associação criminosa e tráfico de droga, segundo informação divulgada hoje.
O Tribunal de Aveiro condenou hoje dois arguidos, pai e filho, a penas de cinco anos e meio e sete anos de prisão por vários roubos violentos a idosos ocorridos em 2024 e 2025.