Médicos do Hospital de Cascais alertam para falta de condições na Neurologia

Um grupo de médicos do Hospital de Cascais anunciou a entrega de declarações de escusa de responsabilidade por falta de condições para assegurar as condições de segurança na prestação de cuidados adequados aos doentes do foro neurológico.

© Facebook / FNAM

Numa carta aberta dirigida à tutela da saúde, ao bastonário da Ordem dos Médicos e à Direção Executiva, divulgada pela Federação Nacional dos Médicos (FNAM), os mais de 20 especialistas em Medicina Interna do Hospital de Cascais, uma parceria público-privada, dão conta da “grave diminuição da capacidade assistencial.

“Desde agosto de 2023 que se tem vindo a assistir a uma diminuição da capacidade assistencial do Serviço de Neurologia deste hospital, fruto da saída de vários médicos neurologistas desta instituição, inclusivamente com risco de perda da idoneidade formativa”, alertam.

Na carta, os especialistas explicam que, atualmente, o Serviço de Neurologia “é formalmente composto apenas por uma médica, que apresenta horário reduzido, não tendo capacidade para assegurar internamento (…), ou sequer apoio adequado à urgência ou ao internamento das restantes especialidades”.

“Existem ainda outros dois médicos que colaboram como prestadores de serviço apenas na prestação de consultas, mas ainda assim com manifesta incapacidade para suprir a necessidade de seguimento dos doentes com patologia deste foro, nomeadamente de doenças com elevada prevalência como as doenças cerebrovasculares, epilepsia e síndromas demenciais”, acrescentam.

Referem que está igualmente comprometida a capacidade de realização de exames como o ecodoppler dos vasos do pescoço, o eletroencefalograma, a eletromiografia, entre outros, “atrasando e dificultando os diagnósticos”.

Os médicos adiantam que existem várias doenças do foro neurológico com diagnóstico e tratamento com as quais os internistas “não estão familiarizados”, sublinhando: “o facto de sistematicamente assumirmos a tomada de decisão em relação ao seguimento destes doentes é francamente deletério para os mesmos”.

Para tentar encontrar solução, os médicos pedem a criação de um protocolo de articulação com outro hospital ou Unidade Local de Saúde com capacidade para prestar este tipo de cuidados diferenciados aos doentes com patologia do foro neurológico afetos à área de residência do Hospital de Cascais até que esta capacidade esteja novamente garantida.

Lembram que estas preocupações já foram “por várias vezes” transmitidas à direção clínica e ao Conselho de Administração do Hospital de Cascais, “sem que tenha resultado alguma alteração”.

Por isso, insistem, os internistas do Hospital de Cascais veem-se obrigados a assumir a escusa de responsabilidade “em relação ao diagnóstico e tratamento da patologia potencialmente do foro neurológico nos doentes que recorrem a este hospital”, sublinhando que não estão asseguradas as condições para prestação dos cuidados adequados a estes doentes.

Ao divulgar a carta, a FNAM, em comunicado, sublinha que a desagregação de equipas e perda de capacidade formativa de futuros especialistas “resulta da incapacidade em promover medidas que contribuam para a fixação de médicos”.

Após 14 anos a gerir a parceria público-privada (PPP) do Hospital de Cascais, a Lusíadas Saúde desistiu do novo concurso, em 2022, por já não estar garantida a sustentabilidade económica.

Numa entrevista ao jornal Negócios na segunda-feira, o presidente executivo do Grupo Lusíadas Saúde explicou que o novo contrato adicionou um conjunto de valências e novas áreas de influência, que tornavam as contas deficitárias.

O concurso acabou por ficar para os espanhóis da Ribera Salud.

O CEO da Lusíadas Saúde alertou para o risco de ter um operador espanhol “sem qualquer presença em Portugal” a gerir um hospital do Serviço Nacional de Saúde (SNS), sublinhando tratar-se de uma entidade “com muito pouca capacidade de reter profissionais em Portugal e de atrair novos profissionais, porque só tem o Hospital de Cascais”.

Últimas do País

Os contratos de maior valor celebrados entre a Polícia Judiciária e a Construbarcelos, empresa de um empreiteiro amigo do ministro da Administração Interna, nunca foram tornados públicos no Portal Base. A PJ recorreu ao regime de contratação excluída para impedir a divulgação da documentação relativa à maioria dos ajustes diretos.
O jovem de 19 anos detido nos Açores por alegada pornografia de menores numa Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS), ficou a aguardar o desenrolar do processo em liberdade, mas proibido de se aproximar e contactar a vítima.
O Sindicato dos Médicos do Norte pediu à Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) que investigue o Centro de Sangue e da Transplantação do Porto (CSTP) por os médicos estarem, alegadamente, sujeitos a trabalho suplementar não remunerado.
Um sismo de magnitude 2,4 na escala de Richter foi sentido hoje na ilha do Pico, nos Açores, informou o Centro de Informação e Vigilância Sismovulcânica dos Açores (CIVISA).
O Comando Regional da Madeira da PSP deteve dois homens na terça-feira por tráfico de droga e apreendeu mais de 6,9 quilogramas de produtos estupefacientes, foi hoje anunciado.
O presidente do CHEGA, André Ventura, considerou esta quarta-feira que existem motivos suficientes para a constituição de uma comissão parlamentar de inquérito aos mandatos do ministro da Administração Interna, Luís Neves, à frente da Polícia Judiciária.
A Polícia Judiciária (PJ) encontrou indícios dos crimes de descaminho e abuso de poder na deslocação do reboque apreendido num processo de tráfico de droga que foi encontrado atracado a um camião da empresa Construbarcelos, que fez obras numa propriedade do ministro da Administração Interna. O procurador-geral da República já mandou abrir um inquérito.
O professor de 33 anos detido por suspeita de abuso sexual de crianças numa escola na Madeira ficou em prisão preventiva, depois ter sido presente hoje a primeiro interrogatório judicial.
Um casal brasileiro e um alegado cúmplice são suspeitos de terem viajado para Portugal para assaltar e matar um empreiteiro de 60 anos. Após o crime, permaneceram vários dias no país e fizeram turismo antes de serem detidos pela Polícia Judiciária no Aeroporto de Lisboa.
Cerca de 50 concelhos de oito distritos de Portugal continental encontram-se esta quarta-feira em perigo máximo de incêndio rural, de acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), que alerta para a manutenção do risco elevado pelo menos até ao próximo fim de semana.