Especialista dá dicas a médicos e doentes para controlar ‘tensão alta’

Baixa literacia, inércia médica e regimes terapêuticos complexos são as principais causas do não controlo da hipertensão arterial, realidade que a Sociedade Europeia de Hipertensão quer alterar com dicas para médicos e doentes, descreveu hoje um dos autores.

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“Há um mau controlo conhecido [da hipertensão arterial] em todo o mundo. Apesar de existirem ferramentas, há várias causas para não haver controlo adequado. Não adesão ao tratamento, baixa literacia, inércia médica e regimes terapêuticos complexos (…). Há 60% dos doentes que não estão controlados. Nas melhores estatísticas, a taxa de controlo é de 40%”, disse Jorge Polónia, professor da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP).

Em declarações à agência Lusa, o professor português que é especialista nesta área e que faz parte do grupo europeu que tem vindo a publicar ‘guidelines’ sobre o tema, descreveu o que consta do novo plano europeu para melhorar os cuidados de saúde às pessoas com hipertensão arterial, desenhado pela sociedade europeia.

“A ideia foi criar uma ‘guideline’ muito prática para facilitar a vida aos clínicos”, resumiu.

O plano, “muito dirigido aos médicos”, nomeadamente médicos de família e médicos que tratam a hipertensão, aconselha o reforço da relação entre profissionais, utilizando as novas tecnologias e apela a uma abordagem muito individualizada do indivíduo idoso com mais de 80 anos.

“A grande maioria dos doentes hipertensos são doentes com idade avançada e essas pessoas são pessoas muito vulneráveis. A ideia é individualizar a terapêutica, tendo em conta a autonomia do doente, a sua fragilidade, a sua dependência e os níveis cognitivos”, referiu o também investigador do CINTESIS@RISE.

A hipertensão arterial é a principal causa de morte em todo o mundo. É um dos fatores de risco para Acidente Vascular Cerebral, entre outros.

Este plano foi publicado no European Journal of Internal Medicine.

Dados remetidos à Lusa pela FMUP dão conta de que com este plano “pretende-se ainda simplificar a prescrição, promover o acesso a estratégias de prevenção e tratamento e envolver os vários profissionais de saúde (médicos, enfermeiros, farmacêuticos, psicólogos, nutricionistas, entre outros) no seguimento do doente”.

Jorge Polónia, que é especialista e consultor sénior de Hipertensão na Unidade de Hipertensão do Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, é coautor das ‘guidelines’ da Sociedade Europeia de Hipertensão publicadas em 2013, 2018 e 2023.

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