Pilotos de helicóptero do INEM sabiam que pó podia impedir aterragem perto de pedreira

A tripulação do helicóptero do INEM, acidentado na segunda-feira, em Mondim de Basto, Vila Real, sabia, antes de tentar aterrar perto de uma pedreira, que podia ficar sem referências visuais devido ao pó e ter de abortar a manobra.

Os dados constam de uma Nota Informativa (NI) do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF) hoje divulgada, a que a agência Lusa teve acesso, sobre o acidente com o aparelho do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) – com um pilotos, um copiloto, médico e enfermeiro, que sofreram apenas escoriações -, que embateu em várias árvores, quando tentava aterrar numa zona de terra, próxima de uma pedreira para socorrer uma vítima.

“Durante o voo, os pilotos receberam atualização das coordenadas, inseriram os dados no sistema de navegação e voaram direto para o local. Após dificuldades iniciais na localização das equipas de apoio à vítima, o helicóptero realizou várias voltas até os ocupantes terem identificado um veículo de emergência na pedreira, identificando de seguida um possível local para a aterragem”, conta o GPIAAF.

A NI refere que, “após executarem procedimentos de aproximação e reconhecendo a possibilidade de ser levantado pó na zona de aterragem, a tripulação definiu um plano para abortar a aterragem em caso de falta das necessárias referências visuais”.

“Durante a aproximação final, atendendo ao pó levantado por efeito do rotor [principal], foi perdido o contacto visual com o terreno e decidida a descontinuidade da aterragem, tendo o piloto aos comandos iniciado o procedimento de aterragem falhada. Em sequência, a aeronave colidiu com várias árvores de médio e grande porte, danificando o rotor principal e inviabilizando a descolagem”, descreve o GPIAAF.

De acordo com a NI, a aeronave, dada como “destruída” pelo GPIAAF, que estava baseada no heliporto de Macedo de Cavaleiros, distrito de Bragança, “imobilizou-se na base dos pinheiros sobre o seu lado direito, mantendo a integridade da cabine com a zona direita do cockpit a ser perfurada por um pinheiro de grande porte”.

Os quatro ocupantes “saíram pelos próprios meios com pequenas escoriações e foram transportados a uma unidade hospitalar para avaliação médica”.

Sobre o historial do voo, o GPIAAF conta que o helicóptero, com dois pilotos, um médico e um enfermeiro a bordo, descolou por volta das 11:11 de segunda-feira (02 de setembro) com destino a uma pedreira em Atei, no concelho de Mondim de Basto (a cerca de 80 quilómetros) para transportar uma vítima que tinha sofrido um acidente de trabalho na referida pedreira.

As equipas de socorro dos bombeiros locais e da GNR localizados na pedreira prepararam a vítima para o transporte, tendo identificado um local de aterragem num largo próximo, a cerca de 1,3 quilómetros de distância, a sul da pedreira, para onde a vítima seria transportada de ambulância para posteriormente seguir de helicóptero.

Alguns elementos dos bombeiros locais e da GNR encontravam-se no largo, a preparar a chegada do aparelho.

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