Luso-alemão da AfD diz que eleitores pedem a partidos tradicionais que oiçam a direita radical

O lusodescendente Paulo Pinto, membro ativo da Alternativa para a Alemanha (AfD, direita radical alemã) em Euskirchen, defende que os partidos tradicionais devem ouvir os eleitores e abandonar o discurso sobre o “cordão sanitário”.

© D.R.

Criticando as posições dos demais partidos que negam a possibilidade de qualquer coligação com a AfD, mesmo depois da forte escalada do partido nas eleições regionais do leste no passado fim-de-semana, Paulo Pinto defendeu que “os eleitores foram claros” e “querem que a AfD possa formar governo”. O próprio chanceler, Olaf Scholz, apelou a que todas as forças políticas ignorem a direita radical.

“O sucesso eleitoral mostra que as pessoas querem mudança e confiam na AfD para a concretizar. É um sinal de que nós, enquanto partido, somos capazes de levar a sério as preocupações e necessidades de muitos cidadãos e de oferecer soluções concretas”, enfatizou.

Nas eleições em dois dos 16 estados federados da Alemanha, no fim de semana passado, a AfD venceu na Turíngia com mais de 32%, e ficou em segundo lugar na Saxónia com 30,6% dos votos. Os partidos que pertencem à coligação “semáforo”, o Partido Social Democrata (SPD), os Verdes e os Liberais tiveram o pior resultado de sempre numas eleições regionais.

Paulo Pinto congratula-se com os resultados da AfD na Turíngia e na Saxónia e acredita que o sucesso se vai replicar no estado de Brandeburgo a 22 de setembro.

“Estamos disponíveis para falar com todos os partidos, isso sim é uma democracia. Ouvir e negociar”, sublinha, repetindo que não tem sentido ignorar o partido mais votado.

Paulo Pinto está há vários anos envolvido na vida política. É, há mais de uma década, vereador na Câmara Municipal de Euskirchen. Em 2008 inscreveu-se na União Democrata-Cristã (CDU), antigo partido de Angela Merkel, mas em 2022, descontente com o rumo desta força política, decidiu mudar para a AfD.

Pertence a uma ala moderada do partido, afastando radicalismos. Reconhece, ainda assim, que dentro da AfD existem várias fações, uma delas a “Flügel”, à qual pertence Björn Höcke, líder da AfD na Turíngia.

“Em todos os partidos há várias alas, uma mais à esquerda, outra mais moderada, outra mais á direita. É normal e saudável desde que as pessoas saibam sentar-se e discutir pontos de vista. O importante é querer o melhor do partido”, defende Paulo Pinto.

“A AfD é um partido democrático e a diversidade de opiniões é um sinal da sua vitalidade”, assume, afastando qualquer receio de que o partido se radicalize, apesar da crescente influência de Höcke.

Höcke, que foi condenado por usar slogans nazis e pela sua retórica anti-imigrantes, não assusta o lusodescendente que garante que a AfD não é racista.

“A Alemanha precisa de uma combinação inteligente de apoio às famílias locais e de uma migração direcionada e qualificada. A AfD está empenhada em fortalecer as famílias na Alemanha, mas também em trazer para o país trabalhadores qualificados para impulsionar a nossa economia”, realçou o político.

Este mês assinalam-se os 60 anos da assinatura do acordo entre a Alemanha e Portugal. Devido à escassez de mão-de-obra, nos anos 50, o governo da República Federal da Alemanha recrutou trabalhadores temporários no estrangeiro através do programa “Gastarbeiterprogramm” para a reconstrução do país.

“A AfD valoriza muito as contribuições da comunidade portuguesa, bem como as de outros trabalhadores convidados que ajudaram a construir o nosso país ao longo das décadas”, aponta o político luso-alemão.

“O nosso objetivo não é marginalizar as pessoas, mas sim criar regras claras e justas que se apliquem a todos. A comunidade portuguesa é uma parte valiosa da nossa sociedade e continuará a sê-lo”, realçou.

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