PSP mantém comunicado oficial emitido após morte de Odair Moniz

O diretor nacional da PSP disse hoje que a polícia é uma das instituições "mais escrutinadas" e "não está acima da lei", sustentando que mantém o comunicado oficial emitido após a morte de Odair Moniz.

© Facebook da PSP

“Devemos deixar as institucionais funcionar. O único documento formal que existe, em termos de comunicação social, foi o comunicado que a PSP entendeu por bem fazer na altura. Quando os senhores jornalistas me conseguirem dar um documento formal, oficial, sobre a situação, então aí sugiro que canalizem para o sistema de justiça”, disse aos jornalistas Luís Carrilho, à margem da apresentação da campanha de Natal e Ano Novo 2024/2025 “Festas MAIs Seguras”.

O diretor da Polícia de Segurança Pública foi questionado sobre as recentes notícias que indicam a existência de contradições em torno da autoria do auto de notícia sobre a morte de Odair Moniz, baleado por um agente da PSP em outubro no Bairro da Cova da Moura, na Amadora.

Segundo a CNN/TVI, que cita a investigação da Polícia Judiciária e do Ministério Público, o auto de notícia não foi escrito pelo agente que baleou a vítima, uma vez que quando o documento foi elaborado, horas depois do incidente e nas instalações da PSP, o polícia em causa não estava na divisão da Amadora, onde prestava serviço, mas a ser interrogado na sede da PJ em Lisboa.

Outra das contradições avançadas por órgãos de comunicação é que o agente da PSP terá reconhecido, nas declarações à PJ, que não tinha sido ameaçado com uma faca por Odair, ao contrário do que vinha escrito no comunicado da PSP.

Questionado sobre se o auto de notícia é falso ou sobre as suspeitas de que a arma branca possa ter sido plantada no local do crime, o diretor nacional da PSP respondeu: “O caso está em segredo de justiça, temos o melhor relacionamento institucional com todos, sobretudo com a PJ. Em Portugal, ninguém está acima da lei, não está a polícia, não estão os cidadãos, e devemos deixar as instituições funcionarem”.

Luís Carrilho afirmou que se as instituições funcionarem “significa que o processo, em termos de sistema de justiça, continuará os seus trâmites”.

“Estamos tranquilos, tudo continuaremos a fazer para garantir a segurança dos portugueses”, disse, frisando que a polícia é “uma das instituições mais credíveis do país” e, em termos de controlo interno e externo, é a “mais escrutinada”.

Também questionada sobre estas contradições entre a versão da PSP e a da PJ, a ministra da Administração Interna apenas referiu que “ambos os processos, quer o criminal quer o disciplinar, estão em curso”.

“Enquanto os processos estiverem em segredo de justiça, não faço qualquer tipo de comentário”, disse ainda.

Odair Moniz, cidadão cabo-verdiano de 43 anos e morador no Bairro do Zambujal, na Amadora, foi baleado por um agente da PSP na madrugada de 21 de outubro, no bairro da Cova da Moura, no mesmo concelho, distrito de Lisboa, e morreu pouco depois, no Hospital São Francisco Xavier, em Lisboa.

De acordo com a versão oficial da PSP, o homem pôs-se “em fuga” de carro depois de ver uma viatura policial e despistou-se na Cova da Moura, onde, ao ser abordado pelos agentes, “terá resistido à detenção e tentado agredi-los com recurso a arma branca”.

O agente da PSP, que está de baixa médica, foi na semana passada interrogado pelo Ministério Público (MP) no Departamento de Investigação e Ação Penal de Lisboa, no Campus da Justiça, e optou pelo silêncio.

Fonte judicial disse à Lusa que a arma branca que alegadamente pertencia a Odair Moniz foi apreendida pelas autoridades e consta do processo.

Além do processo judicial, estão a decorrer na IGAI e na PSP processos de âmbito disciplinar.

Últimas do País

A presidente do Sindicato dos Médicos do Norte (SMN) acusou a ministra da Saúde de não cumprir a promessa sobre o INEM, referindo que o instituto está com menos de 30 médicos no quadro quando estão previstos 70 lugares.
A Polícia Judiciária (PJ) deteve uma mulher com um mandado de detenção internacional para cumprimento de uma pena de nove anos e quatro meses por associação criminosa e tráfico de droga, segundo informação divulgada hoje.
O Tribunal de Aveiro condenou hoje dois arguidos, pai e filho, a penas de cinco anos e meio e sete anos de prisão por vários roubos violentos a idosos ocorridos em 2024 e 2025.
O CHEGA pediu, a 14 de outubro, a presença urgente do ministro da Agricultura no Parlamento, após a deteção do vírus 'Shamonda' em seis explorações bovinas portuguesas. Oito dias depois, França confirmou o primeiro caso conhecido de infeção humana, num doente que morreu no início do mês.
Dois equatorianos, um colombiano e um venezuelano foram intercetados pela Marinha Portuguesa a bordo de uma embarcação semissubmersível que transportava 1740 quilos de cocaína, avaliados em mais de 62 milhões de euros. Os quatro homens, detidos em outubro de 2025, foram agora condenados pelo Tribunal de Ponta Delgada, nos Açores, a penas entre 10 e 14 anos de prisão por envolvimento numa rede internacional de tráfico de droga.
O atual e o ex-presidente da Câmara de Valongo, Paulo Esteves Ferreira e José Manuel Ribeiro, eleitos pelo PS, foram condenados por abuso de poder à perda de mandato por limitarem a circulação de camiões na estrada de acesso ao aterro de Sobrado em 2020. A sentença incluiu ainda a aplicação de multas e a possibilidade de recurso.
Um idoso foi detido pela GNR por provocar um incêndio florestal em Carrazeda de Ansiães, devido à queima de sobrantes que se descontrolou, revelou a força policial.
A Universidade Politécnica de Portalegre (UPP) abriu um inquérito interno para apurar alegada tentativa de assédio sexual entre alunos, revelou o vice-reitor à agência Lusa.
A Habita!, criada por antigas assessoras do BE, recebeu apoios de organizações internacionais, incluindo uma rede financiada na sua origem pela fundação de George Soros. Uma investigação identifica ainda 150 mil euros de fundos europeus.
Mais de 240 turmas do 1.º ciclo continuam sem professor atribuído, segundo avança o Expresso. A falta de docentes prolonga-se mais de um mês após o arranque das aulas.