Fenprof alarga greve ao sobretrabalho à correção das provas-ensaio

A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) criticou hoje o recurso a uma "bolsa solidária de professores" para corrigir as provas-ensaio que vão testar o formato digital, e vai alargar a greve ao sobretrabalho para abranger essa tarefa.

©Fenprof

Os alunos dos 4.º, 6.º e 9.º anos vão realizar provas-ensaio em fevereiro para testar o formato digital e identificar eventuais falhas antes das provas finais de 3.º ciclo e das provas de Monitorização da Aprendizagem (ModA) em maio e junho.

As provas, que não contam para a avaliação externa, são obrigatórias e a correção ficará a cargo de uma “bolsa solidária de professores classificadores” constituída pelos professores previamente indicados pelos diretores escolares, segundo o guia do Júri Nacional de Exames enviado às escolas.

“Não se trata de uma atividade em que os professores se apresentam voluntariamente, mas de uma tarefa que é atribuída aos docentes em cima de todo o trabalho que já têm”, criticou hoje a Fenprof.

No entender da federação, a correção das provas-ensaio deveria ser considerada trabalho extraordinário, mas não será esse o caso.

Por isso, a organização vai acrescentar a tarefa, que considera que “nada tem de solidário e tem tudo de trabalho forçado”, à lista de atividades previstas nos pré-avisos de greve ao sobretrabalho para o mês de fevereiro.

À semelhança de anos letivos anteriores, a Fenprof retomou em setembro a greve ao sobretrabalho para exigir a correção de “sobrecargas, abusos e ilegalidades nos horários e organização do trabalho dos professores e educadores”.

A lista que consta dos pré-avisos de greve entregues prevê atividades como reuniões de avaliação intercalar se as aulas não forem interrompidas para o efeito e outras reuniões que não estejam previstas no horário, a frequência de ações de formação fora do horário da componente não letiva ou atividades no horário de intervalo.

As provas-ensaio vão realizar-se entre os dias 10 e 28 de fevereiro, são obrigatórias e terão a duração de 45 minutos.

Apesar de não servirem para avaliação externa, as escolas poderão utilizar os resultados na avaliação interna dos alunos, que serão disponibilizados até ao final do mês de março.

As perguntas de escolha múltipla serão corrigidas de forma automática e as restantes – uma pergunta de construção por prova – serão classificadas por professores da disciplina, em regime de classificação solidária.

O objetivo é que os alunos se familiarizem com o suporte digital em contexto de avaliação e ajudar as escolas a testar a sua preparação tecnológica, organizativa e logística das escolas.

Por outro lado, vão permitir identificar questões técnicas e organizativas que possam ser implementadas pelo Ministério da Educação, Ciência e Inovação antes das provas ModA, no final dos 1.º e 2.º ciclos, que se realizam entre 19 de maio e 06 de junho, e as provas finais do 3.º ciclo, entre 20 e 25 de junho.

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