Procura de crédito à habitação sobe no 4.º trimestre de 2024

A procura de empréstimos por parte de particulares aumentou no quarto trimestre de 2024, sobretudo no segmento da habitação e impulsionada pela descida das taxas de juro, confiança dos consumidores e regime fiscal, segundo um inquérito do BdP.

© LUSA/CARLOS M. ALMEIDA

De acordo com a última edição do “Inquérito aos Bancos sobre o Mercado de Crédito” do Banco de Portugal (BdP), relativa ao último trimestre do ano passado, “o nível geral das taxas de juro e, em menor grau, a confiança dos consumidores e o regime regulamentar e fiscal do mercado da habitação” contribuíram para o aumento da procura de crédito à habitação.

Já no segmento do consumo e outros fins, a confiança dos consumidores contribuiu ligeiramente para o aumento da procura de empréstimos.

Para o primeiro trimestre deste ano, as perspetivas do banco central apontam para um novo aumento da procura de empréstimos no segmento da habitação e sem alterações no segmento do consumo e outros fins.

No que diz respeito às empresas, o BdP assinala que, no quarto trimestre de 2024, a procura de empréstimos se manteve “sem alterações, transversal a empresas de diferentes dimensões e a diferentes prazos do empréstimo”.

O inquérito indica que “o recurso à geração interna de fundos como fonte de financiamento alternativa contribuiu ligeiramente para diminuir a procura de empréstimos por empresas”.

Em sentido oposto, “o nível geral das taxas de juro e, no segmento das pequenas e médias empresas (PME), o refinanciamento/reestruturação e a renegociação da dívida e o financiamento do investimento contribuíram ligeiramente para o aumento da procura”.

De janeiro a março deste ano, os inquiridos preveem um ligeiro aumento da procura de empréstimos por PME e por empréstimos de longo prazo.

Analisando a oferta de crédito no último trimestre do ano passado, os critérios de concessão de crédito estiveram “praticamente sem alterações no segmento das empresas (embora ligeiramente mais restritivos para PME) e no dos particulares para consumo e outros fins”.

Já nos empréstimos a particulares para aquisição de habitação estiveram “ligeiramente menos restritivos”.

“Nas empresas, os riscos associados à situação e perspetivas de empresas ou setores de atividade específicos e a tolerância a riscos contribuíram ligeiramente para o aumento da restritividade”, aponta o inquérito do BdP.

Por sua vez, nos empréstimos para aquisição de habitação, “a concorrência de outras instituições bancárias contribuiu ligeiramente para critérios menos restritivos”, nota.

Sobre os termos e condições de crédito, o banco central registou uma “ligeira diminuição da taxa de juro praticada” nos empréstimos concedidos a empresas (transversal à dimensão da empresa) e para aquisição de habitação.

Neste último segmento de crédito, acresce ainda a “ligeira diminuição do ‘spread’ aplicado nos empréstimos de risco médio”, não se registando alterações nos empréstimos para consumo e outros fins.

De acordo com o BdP, no crédito a empresas e à habitação, os inquiridos indicaram que “a concorrência de outras instituições bancárias contribuiu ligeiramente para termos e condições menos restritivos”.

Em sentido contrário, nos empréstimos a empresas, consideraram que “os riscos associados à situação e perspetivas de empresas ou setores de atividade específicos e a tolerância a riscos contribuíram ligeiramente para termos e condições mais restritivos”.

No último trimestre de 2024, a proporção de pedidos de empréstimos rejeitados manteve-se inalterada no caso das empresas e registou um “ligeiro aumento” entre os particulares em ambos os segmentos de crédito.

Para o primeiro trimestre deste ano, os inquiridos estimam que os critérios de concessão se mantenham inalterados, tanto no crédito a empresas, como no crédito a particulares.

Últimas de Economia

O Tribunal de Contas detetou falhas na informação sobre centenas de milhões de euros distribuídos pelo Estado a fundo perdido. Dos apoios analisados, 526 milhões ficaram sem informação suficientemente clara sobre a respetiva identificação ou finalidade. Conta Geral do Estado de 2025 recebeu um juízo de não conformidade.
O preço do cabaz alimentar composto por 63 bens essenciais monitorizado pela Deco Proteste aumentou 11 cêntimos na última semana, após ter descido na semana anterior, fixando-se nos 254,22 euros, informou hoje a associação de defesa do consumidor.
O presidente do CHEGA criticou as alterações do Governo ao regime do arrendamento e alertou para o aumento do custo da habitação. "Queremos direitos para quem se mata a trabalhar e não consegue pagar uma casa", afirmou André Ventura.
O Estado registou um excedente de 249,3 milhões de euros até agosto, uma diminuição de 1.799,4 milhões de euros face ao período homólogo, revelou a síntese de execução orçamental.
Gustavo Madeira deixa o gabinete do ministro das Infraestruturas e Habitação para assumir a presidência do IMT. Nomeação é feita em regime de substituição e produz efeitos já esta quinta-feira, enquanto os cargos não forem preenchidos através de concurso da CReSAP.
A prestação da casa vai subir em outubro para créditos com taxa Euribor a três, seis e 12 meses que sejam revistos nesse mês, segundo as simulações da Deco Proteste.
Portugal poderá passar de 6,3 mil milhões de euros em juros da dívida este ano para 9,4 mil milhões em 2030. Conselho das Finanças Públicas alerta para condições de financiamento mais adversas e antecipa o regresso dos défices já em 2027.
A taxa de inflação aumentou para 3,6% em setembro, em termos homólogos, contra 3,3% no mês anterior, novamente impulsionada pelo preço dos combustíveis, segundo a estimativa rápida divulgada hoje pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
O presidente do CHEGA considera que o diploma, "tal como está, não serve" e alerta para o aumento do custo da habitação. Ventura diz que as rendas estão a subir "brutalmente" e considera as medidas prejudiciais tanto para proprietários como para arrendatários.
O indicador de confiança dos consumidores diminuiu em setembro pelo segundo mês consecutivo e o clima económico, baseado em inquéritos às empresas, recuou após ter aumentado no mês anterior, divulgou hoje o Instituto Nacional de Estatística (INE).