Diretor do SNS anuncia que novo sistema vai impedir que médicos escolham as cirurgias adicionais

O futuro sistema de gestão do acesso a consultas e cirurgias vai impossibilitar os médicos de escolherem as cirurgias adicionais que pretendem realizar, eliminando uma das fragilidades do atual SIGIC, anunciou esta quarta-feira o diretor executivo do SNS.

© D.R.

“Uma das coisas que o SINACC [o novo Sistema Nacional de Acesso a Consultas e Cirurgias] deverá contemplar é precisamente esta impossibilidade de escolher cirurgias na produção adicional”, afirmou Álvaro Almeida na Comissão Parlamentar de Saúde, onde foi ouvido sobre as cirurgias adicionais de dermatologia no Hospital Santa Maria, depois de ser conhecido que um médico recebeu centenas de milhar de euros por operar doentes aos sábados.

O SINACC é o novo sistema previsto no Programa do Governo e que vai substituir o atual Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia (SIGIC).

Na audição pedida pela bancada da Iniciativa Liberal, o responsável da Direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde (DE-SNS) adiantou que o SIGIC tem fragilidades que já tinham sido identificadas antes do caso do Hospital Santa Maria.

“A primeira falha é a questão do agendamento” das cirurgias, referiu Álvaro Almeida, ao adiantar que o modelo atual permite que, apesar de haver listas de espera ordenadas por antiguidade, as marcações das cirurgias sejam realizadas sem respeito por essa antiguidade.

“Permite fazer algo que pode ter acontecido neste caso que é escolher, especificamente, quais são as cirurgias que o cirurgião que agenda quer realizar. Pode escolher aquelas que são mais fáceis ou que geram mais rendimento”, referiu o diretor do SNS.

Perante isso, Álvaro Almeida adiantou que a proposta que está neste momento em cima da mesa para a criação do SINACC prevê que toda produção adicional da própria lista “tem de seguir, escrupulosa e automaticamente, a ordem da antiguidade” dos doentes.

“A primeira cirurgia a ser agendada tem de ser da pessoa que está mais tempo à espera. Isso evita que se escolham as cirurgias e que, quem agenda, possa escolher agendar determinadas pessoas para as beneficiar”, assegurou o responsável da DE-SNS.

Aos deputados Álvaro Almeida reconheceu ainda que outra fragilidade do atual sistema tem a ver com “um incentivo perverso à geração de listas de espera” para cirurgias nos hospitais públicos.

“Quanto maior for a lista de espera, mais cirurgias em produção adicional um serviço pode fazer”, adiantou o diretor executivo do SNS, ao garantir que também o SINACC vai minimizar este efeito.

Salientou ainda não ser verdade que as Unidades Locais de Saúde recebem mais financiamento se fizerem mais produção adicional, uma vez que são financiadas por capitação, sendo a remuneração adicional paga aos profissionais de saúde que realizam as cirurgias.

Álvaro Almeida referiu ainda que a produção em adicional do serviço de dermatologia do Santa Maria “é normal”, no sentido em que está em linha com a produção de outros hospitais.

Na sequência do caso do Santa Maria, a Inspeção-Geral de Atividades em Saúde (IGAS) avançou com um inquérito de natureza disciplinar, ainda sem conclusões conhecidas, e administração do hospital decidiu suspender as cirurgias adicionais de dermatologia e realizar auditorias internas.

A chamada produção adicional é um regime que prevê que possam ser feitas cirurgias fora do horário normal de trabalho das equipas, mediante o pagamento de incentivos financeiros, para reduzir as listas de espera dos hospitais.

Últimas do País

Funcionário estranhou ver o saco abandonado durante vários dias nas imediações de uma unidade hospitalar, em Alvalade, e decidiu entregá-lo à PSP. Lá dentro estavam milhares de euros, droga, certificados de aforro avaliados em 16 mil euros e dois telemóveis.
A Federação Nacional de Professores (Fenprof) denunciou hoje que persistem “2.650 horários em oferta de escola que cobrem a mais de 50 mil horas” por preencher, a poucos dias do início do ano letivo.
A doença de Newcastle foi já confirmada em aves selvagens em quatro ilhas nos Açores, revelou hoje o diretor regional da Agricultura, Veterinária e Alimentação, acrescentando que até ao momento não foi detetada em aves de capoeira.
Suspeito foi encontrado a praticar atos sexuais de relevo com uma mulher de 80 anos, sem capacidade para falar e com mobilidade reduzida. Homem foi detido por suspeitas de abuso sexual de pessoa incapaz de resistência.
Ataque ocorreu em plena rua e terá sido antecedido por várias tentativas de agressão. Vítima, também com 17 anos, tentou fugir, mas foi perseguida e atingida no tórax com uma faca de grandes dimensões. Suspeito foi detido pela PJ e ficou em prisão preventiva.
Suspeito de 52 anos tinha na sua posse 34 doses de heroína, 11,7 gramas de cocaína e centenas de euros em dinheiro.
O terrorismo está entre as ameaças que mais preocupam os portugueses. De acordo com o Eurobarómetro do Parlamento Europeu realizado, 74% dos inquiridos em Portugal afirmam estar muito preocupados com a ameaça terrorista, um valor sete pontos percentuais acima da média da União Europeia, situada nos 67%.
A Polícia de Segurança Pública (PSP) sinalizou desde 27 de julho 284 idosos, dos quais 182 encontravam-se em situações de risco social, no âmbito da operação 'A Solidariedade Não Tem Idade', que só termina a 25 de setembro.
O Ministério Público abriu um inquérito na sequência de uma reclamação apresentada pela Federação Nacional dos Professores (Fenprof) relacionada com o processo de classificação eletrónica dos exames nacionais do ensino secundário.
A entidade responsável pela gestão do sistema Volta, que acrescenta um depósito de 10 cêntimos ao preço de cada embalagem abrangida, é presidida por Leonardo Mathias, antigo secretário de Estado Adjunto e da Economia no Governo PSD/CDS.