ULS de Lisboa Ocidental violou lei em três ajustes diretos, diz TdC

O Tribunal de Contas (TdC) concluiu que a Unidade Local de Saúde de Lisboa Ocidental (ULSLO) violou a lei em três ajustes diretos, mas decidiu não sancionar o conselho de administração responsável.

© Site Tribunal de Contas

De acordo com um relatório do TdC hoje divulgado, em causa estão contratos celebrados pela ULS de Lisboa Ocidental, que inclui o Hospital São Francisco Xavier, celebrados em 2019, 2022 e 2023 para “aquisição de serviços de custódia de arquivo documental nos montantes de 37.464,00 euros (2019) e 33.752,16 euros (2022 e 2023),a acrescer do IVA, a uma mesma empresa, com utilização ilegal do procedimento de ajuste direto”.

O tribunal salienta que foi preterido o procedimento por consulta prévia com convite a pelo menos três entidades, em desrespeito do previsto no Código de Contratação Pública (CCP).

Ainda que o TdC tenha considerado que as ilegalidades identificadas “são suscetíveis de determinar responsabilidade financeira sancionatória”, decidiu relevar essa mesma responsabilidade, imputada à então presidente e vogais do conselho de administração, um órgão liderado na altura pela médica Rita Perez.

Essa decisão isenta estes responsáveis indiciados do pagamento de multas que podiam ser fixadas entre os 2.550 euros e os 18.600 euros.

“Quanto à culpa dos indiciados responsáveis (…) decorre da natureza das suas funções que devem pautar a sua atuação pelo cumprimentos das normas do CCP, não se afirmando que ao autorizarem a realização dos procedimentos considerados ilegais, adjudicarem e permitirem assim a execução de contratos, o fizeram com vontade de agir ilicitamente ou sequer admitindo como necessário ou possível o resultado ilícito da sua conduta”, lê-se no relatório do TdC.

No entanto, os juízes conselheiros do tribunal ressalvam que “certo é que não agiram com a cautela e o grau de diligência que era exigida em função dos cargos que desempenhavam à data dos factos”.

Segundo o contraditório exercido no decurso do processo, o hospital e os responsáveis do conselho de administração indiciados alegaram que a decisão de atribuir por ajuste direto à empresa que já era responsável pelo armazenamento do arquivo seria um procedimento “menos oneroso” para o erário público.

O relatório final aprovado foi remetido, tal como legalmente previsto, ao Ministério Público, assim como à ministra da Saúde, à presidente do conselho de administração da ULSLO e aos indiciados no processo.

O relatório do TdC recomenda ainda à ULSLO “o cumprimento dos normativos legais relativos à contratação pública, em especial os que respeitam à observância do procedimento pré-contratual legalmente adequado, em função do valor (…) bem como só adotar procedimentos em função de critérios materiais, quando apresente fundamentação que permita considerar preenchidos os respetivos requisitos legais”.

A ULSLO ficou também obrigada ao pagamento dos emolumentos do processo no valor de 1.721,66 euros.

O processo teve origem recebida pelo TdC em 15 de março de 2023, “sobre eventuais irregularidades relativas à aquisição, reiterada e sucessiva, de 2018 a 2022, de serviços de custódia de arquivo documental, pelo então Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental, E.P.E. (CHLO) atualmente designado como Unidade Local de Saúde de Lisboa Ocidental, E.P.E (ULSLO), a uma única entidade”.

Últimas de Economia

O 'stock' de empréstimos para habitação cresceram pelo 25.º mês consecutivo em fevereiro, com um aumento homólogo de 10,4%, atingindo 111.658 milhões de euros, divulgou hoje o Banco de Portugal (BdP).
A taxa de poupança das famílias recuou para 12,1% do rendimento disponível no final de 2025, divulgou hoje o Instituto Nacional de Estatística (INE).
A carga fiscal aumentou para 35,4% em 2025, face aos 35,2% registados no ano anterior, de acordo com a primeira notificação de 2026 relativa ao Procedimento dos Défices Excessivos divulgada hoje pelo INE.
O cabaz essencial de 63 produtos monitorizado pela Deco Proteste aumentou 0,08 euros esta semana face à anterior e acumula um acréscimo de 12,57 euros desde início do ano, fixando-se num novo máximo de 254,40 euros.
O preço do gás natural para entrega no prazo de um mês no mercado TTF dos Países Baixos, referência na Europa, aumentou hoje 4% e ultrapassou os 54 euros por megawatt-hora (MWh), devido ao conflito no Médio Oriente.
As famílias de rendimento mediano dificilmente têm acesso à compra de habitação em Portugal, uma vez que o peso da prestação do crédito à habitação supera 40% do seu rendimento, indica um estudo do Banco de Portugal (BdP).
O valor mediano de avaliação bancária na habitação foi de 2.122 euros por metro quadrado em fevereiro, um novo máximo histórico e mais 17,2% do que no mesmo mês de 2025, divulgou o Instituto Nacional de Estatística (INE).
A ASAE e a ENSE realizaram fiscalizações a 70 postos de combustível tendo aplicado 17 contraordenações por ausência de inspeções periódicas quinquenais obrigatórias, práticas comerciais desleais e irregularidades relacionadas com exatidão nas medições de combustível.
O consumo de gás em Portugal aumentou 11,1% para 45,0 TWh (terawatts/hora) em 2025, face a 2024, mas ficou 20% abaixo da média dos cinco anos anteriores, informou hoje a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE).
O índice de preços da habitação aumentou 17,6% em 2025, mais 8,5 pontos percentuais do que em 2024 e a taxa mais elevada na série disponível, segundo dados divulgados hoje pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).