Economia alemã contrai-se 0,1% no 2.º trimestre

A economia alemã contraiu-se 0,1% no segundo trimestre em relação aos três meses anteriores, de acordo com o dado preliminar da evolução do PIB alemão publicado hoje pela agência federal de estatísticas (Destatis).

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No primeiro trimestre do ano, o Produto Interno Bruto (PIB) da Alemanha tinha aumentado 0,3%, depois de um recuo de 0,2% nos últimos três meses de 2024, encerrando assim um segundo período em recessão.

Segundo a Destatis, os investimentos entre abril e junho em equipamentos e construções foram menores do que no trimestre anterior, enquanto os gastos de consumo públicos e privados aumentaram.

Em termos homólogos, a economia alemã no segundo trimestre permaneceu estagnada com crescimento zero a preços constantes, enquanto em dados ajustados aos efeitos de preço e calendário cresceu 0,4%.

Após a recuperação do primeiro trimestre, depois de dois anos consecutivos de recessão, a economia alemã voltou a encolher entre abril e junho, num período em que as previsões mais recentes apontam que o crescimento será mínimo.

De acordo com as previsões publicadas na terça-feira pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), a maior economia da zona do euro crescerá apenas 0,1% em 2025, enquanto na previsão anterior ainda previa crescimento zero.

A escalada tarifária iniciada pelo Presidente dos EUA, Donald Trump, e a consequente incerteza são o principal fator que derrubou as esperanças de recuperação da economia alemã, fortemente dependente das exportações para os EUA.

Durante o primeiro trimestre, a antecipação de altas tarifas levou o mercado a antecipar exportações, o que teve um efeito animador na produção industrial, que agora se dissipou.

Após meses de volatilidade, o acordo preliminar alcançado entre os EUA e a União Europeia (UE) no passado domingo, que prevê uma tarifa única de 15% para as mercadorias europeias, foi recebido com alívio pelo Governo alemão, que o considera um mal menor diante de cenários mais catastróficos.

No entanto, reconheceu que será um “desafio” para a indústria alemã e até para a poderosa indústria automóvel, que saiu relativamente beneficiada com a redução das tarifas previstas de 27,5% para 15%, mas advertiu que o acordo terá um custo de “milhares de milhões” por ano.

Apesar de tudo, no mês passado as perspetivas ainda eram relativamente otimistas, com a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE) a prever um crescimento de 0,4% neste ano, graças à melhoria da confiança e ao aumento do consumo possibilitado pelo aumento dos salários reais.

Também o instituto alemão Ifo reviu em alta a sua previsão de primavera, de 0,2% para 0,3%, e considerou que, após tocar o fundo no inverno, a economia alemã está pronta para sair da crise.

No entanto, destacaram que a recuperação depende em grande medida de que o novo Governo do Chanceler conservador Friedrich Merz implemente as medidas prometidas para reativar a economia, entre as quais reformas estruturais, alívio fiscal para as empresas e investimentos bilionários em infraestrutura e defesa.

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