Governo atrasa-se a ativar mecanismo europeu para combate a incêndios e agora não há praticamente meios disponíveis

O Governo optou por não acionar o Mecanismo Europeu de Proteção Civil nas primeiras semanas da atual crise de incêndios, alegando que os meios nacionais eram suficientes e que o recurso a ajuda externa deveria ser considerado apenas como última opção.

© EPA/PEDRO SARMENTO COSTA

Contudo, a Comissão Europeia recordou que existiam meios aéreos e terrestres pré-posicionados no sul da Europa, preparados para mobilização imediata mediante um pedido formal.

Esse pedido acabou por ser formalizado apenas hoje, numa altura em que as equipas nacionais já se encontram sob enorme pressão.

Portugal enfrenta um dos verões mais severos dos últimos anos no que diz respeito aos incêndios florestais, com dezenas de focos ativos e milhares de hectares consumidos pelas chamas. A resposta no terreno está no limite e o atraso na ativação do mecanismo europeu deixou o país praticamente sem meios externos disponíveis de forma imediata.

Perante este cenário, o Partido CHEGA, liderado por André Ventura, anunciou que irá questionar formalmente o Governo sobre o motivo do atraso na solicitação de apoio europeu. A formação política pretende ainda convocar, com caráter de urgência, a ministra da Administração Interna ao Parlamento, para que esclareça as razões que justificaram o adiamento do pedido e que, segundo o partido, contribuíram para a ineficácia no combate aos incêndios.

Últimas do País

Cerca de 170 estradas continuam hoje cortadas ao trânsito devido ao mau tempo, incluindo seis troços de autoestradas, e Coimbra é o distrito com mais vias interditas à circulação, segundo a GNR.
As autoridades detiveram cinco pessoas e apreenderam armas e 1,5 toneladas de cocaína numa operação policial em Faro, Setúbal, Aveiro e Guarda, desmantelando uma organização criminosa transnacional, foi hoje divulgada.
O Plano Nacional de Emergência de Proteção Civil, ativado a 01 de fevereiro, foi hoje desativado tendo em conta o desagravamento dos cenários de risco meteorológico e hidrológico, anunciou a Proteção Civil.
A situação das cheias no rio Tejo evolui de forma lenta mas gradual no Médio Tejo e na zona da Lezíria, mantendo-se o alerta amarelo ativo e várias estradas submersas.
O sul do país tem água armazenada que dá para “dois a três anos”, com todas as barragens “literalmente cheias”, afirmou o presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), admitindo que se podem bater recordes nacionais nas albufeiras.
Cerca de 4.500 clientes da E-Redes nas localidades afetadas pela depressão Kristin, que passou pelo continente em 28 de janeiro, continuavam às 07:00 de hoje sem energia elétrica, segundo a empresa.
A ASAE instaurou dois processos-crime por venda de telhas acima do valor afixado nos concelhos da Batalha (Leiria) e Coimbra, indicou ontem a autoridade, que tem realizado várias ações de fiscalização nas zonas afetadas pelas tempestadas.
Seis distritos do litoral norte e centro estão atualmente sob aviso amarelo, devido à previsão de agitação marítima, disse esta sexta-feira, 20 de fevereiro, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
Pelo menos 157 escolas estiveram encerradas na sequência das tempestades que atingiram Portugal nas últimas semanas, segundo um inquérito divulgado esta quinta-feira pela Missão Escola Pública em que 81 agrupamentos relatam ter sido afetos pelo mau tempo.
O rebentamento do dique dos Casais, em Coimbra, provocou prejuízos de mais de dois milhões de euros nas instalações de uma empresa centenária de produção de plantas ornamentais, cuja reabertura será difícil este ano.