Deputados concordam com teste a voto eletrónico pedido por emigrantes portugueses

A maioria dos deputados das Comissões parlamentares de Assuntos Constitucionais e Negócios Estrangeiros aprovaram esta quarta-feira a proposta de realização de um teste de voto eletrónico para os emigrantes portugueses.

© D.R.

Após uma audição conjunta das duas comissões ao Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP), os deputados presentes do PSD, Chega, PS e CDS concordaram com a proposta de realização de um teste de voto eletrónico para tentar resolver os problemas de votação dos emigrantes portugueses nas eleições legislativas.

O pedido foi feito pelo presidente do CCP, Flávio Martins, recordando que, nas eleições presidenciais de janeiro esse teste não será possível porque a lei exige o voto presencial dos emigrantes.

“A abstenção vai ser elevadíssima”, avisou o dirigente das comunidades portuguesas, que pede uma “uniformização [de procedimentos] para todos os atos eleitorais”.

O objetivo do teste não vinculativo ao voto eletrónico visa esclarecer dúvidas sobre a segurança e eficácia do modelo.

“Não temos a pretensão de considerar que será uma solução definitiva”, mas irá permitir “avaliar a fiabilidade de todo esse processo”, explicou Flávio Martins, numa exposição que teve a concordância dos deputados.

“São vocês que, em primeira linha, vivem as dificuldades” do voto dos emigrantes, afirmou Hugo Carneiro (PSD), considerando que é “inevitável discutir o voto eletrónico”, para ultrapassar os problemas do voto por correio e as distâncias a percorrer.

Pelo menos “um teste de voto eletrónico parece-nos razoável” e “até podemos chegar a concluir que não é eficaz”, mas “temos de o testar primeiro”.

Chegou a estar prevista uma proposta nesse sentido mas que, segundo os deputados, não se concretizou porque a última legislatura foi interrompida.

Ricardo Reis (Chega) concordou que um “projeto-piloto faria todo o sentido”, enquanto João Almeida (CDS) disse que o seu partido tem “muitas dúvidas sobre o voto eletrónico”, mas não tem “nenhuma dúvida sobre o teste”.

Já o socialista Pedro Vaz subscreveu a proposta do dirigente do CCP Vasco Abreu de instalar as mesas de voto além dos consulados, aproveitando a rede de consulados honorários ou associações, quando a lei do país assim o permite.

“Todos os partidos sabem e reconhecem as dificuldades do voto dos portugueses residentes na diáspora” e, “infelizmente a nossa rede consular é muito diminuta para as necessidades eleitorais”, afirmou Pedro Vaz.

O dirigente do CCP Vasco Abreu alertou para as limitações do serviço postal, recordando que, no seu país, há 25 mil eleitores recenseados e só chegaram a Portugal três votos por correio.

“Isto não é aceitável numa democracia”, considerou.

Por seu turno, o dirigente do CCP Paulo Marques recordou que a prática do voto eletrónico já existe noutros países e defendeu que Portugal aprenda com esses exemplos.

Nos casos em que o serviço postal não oferece garantias, o CCP quer que sejam os consulados a assegurar o correio, por via diplomática, algo que não teve resposta pelos deputados.

Flávio Martins defendeu ainda o alargamento da representatividade de deputados pela emigração: “Não podemos ter um milhão e meio de eleitores recenseados nos dois círculos com quatro deputados”.

Sobre a contagem dos votos por correspondência, que colocam os emigrantes como “eleitores de segunda”, o presidente do CCP defendeu que sejam os consulados a fazer essa contabilidade, como é dever dos representantes do Estado português.

Para assegurar a segurança do voto eletrónico, será essencial o uso da chave móvel digital, um recurso que ainda não é utilizado por muitos imigrantes.

“A chave móvel digital é uma questão que é muito pouco falada e promovida nas nossas comunidades” e é “necessária mais promoção” daquele recurso que valida o utilizado como cidadão português.

Últimas do País

Os banhistas podem colocar chapéus-de-sol em frente às concessões de praia, que “não podem exceder 30% da área útil da praia, nem 50% da frente de praia”, indica a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), num esclarecimento técnico hoje divulgado.
Um ex-diretor das Águas de Gaia (ADGaia) e um empreiteiro ficaram em prisão preventiva no âmbito da operação 'Água Turvas', que investiga um alegado esquema de corrupção na empresa municipal, decidiu hoje o Tribunal de Instrução Criminal (TIC) do Porto.
As forças de segurança vivem tempos particularmente exigentes, até pelos palcos digitais e mediáticos onde se veem envolvidas, e, nesse contexto, a formação de novos agentes assume importância e complexidade acrescida, disse hoje um oficial da PSP.
A greve de hoje dos enfermeiros da Unidade Local de Saúde (ULS) Arrábida, em Setúbal, teve uma adesão superior a 70% nos hospitais e obrigou ao encerramento de várias unidades de cuidados de saúde primários, revelou fonte sindical.
João Gamelas demitiu-se do cargo de diretor clínico para a área hospitalar da ULS Lisboa Ocidental por razões pessoais, mas reconhece que “o problema que se vive na confiança e na relação com os profissionais” pesou na decisão.
O líder do CHEGA defendeu, no Parlamento, uma Comissão Parlamentar de Inquérito à 'Operação Influencer', sublinhando que o país assistiu à queda de um Governo socialista "afundado num verdadeiro polvo de corrupção”.
A onda de calor iniciada em 20 de maio é a terceira mais longa de que há registo em número de dias médio, com 9,3 dias, e 25 novos ‘recordes’ da temperatura máxima do ar, foi hoje divulgado.
Mais de 200 motoristas de táxi, segundo a PSP, foram detidos nos primeiros cinco meses do ano na região de Lisboa pelo crime de especulação, prática considerada "totalmente inaceitável" para o presidente da Federação Portuguesa do Táxi (FPT).
O CHEGA vai propor no Parlamento que um trabalhador possa reformar-se quando atingir 40 anos de descontos ou 65 de idade e quer colocar um teto máximo para as pensões mais altas de 4.500 euros.
Um homem de 45 anos acusado de ter matado um septuagenário à paulada na sua própria casa em Águeda remeteu-se hoje ao silêncio no início do julgamento no Tribunal de Aveiro.