Cada português deve 27 mil euros. Dívida do Estado dispara para recorde histórico

A dívida pública portuguesa atingiu um novo máximo de 294,3 mil milhões de euros, o valor mais alto de sempre. Apesar da recuperação económica, o fardo financeiro por habitante nunca foi tão pesado.

© Folha Nacional

A dívida pública portuguesa voltou a atingir um novo recorde, alcançando 294,3 mil milhões de euros, o valor mais elevado de sempre. Contas feitas pelo Correio da Manhã (CM), a partir dos dados divulgados esta terça-feira pelo Banco de Portugal, correspondem a cerca de 27 mil euros por habitante, tendo como referência a população residente estimada pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) — aproximadamente 10,7 milhões de pessoas.

Para efeito de comparação, no ano 2000 o endividamento público total traduzia-se em pouco mais de 6700 euros por cidadão. Em 25 anos, a dívida quadruplicou, evidenciando o crescimento estrutural da despesa pública e do recurso ao financiamento externo.

Segundo o CM, o novo máximo resulta sobretudo do acréscimo de seis mil milhões de euros registado em setembro, o maior aumento mensal desde janeiro de 2024. Segundo o Banco de Portugal, esta subida ficou a dever-se, principalmente, ao reforço dos títulos de dívida de longo prazo (+5,7 mil milhões de euros) e ao aumento dos certificados de aforro (+0,5 mil milhões), parcialmente compensados pela ligeira redução dos certificados do Tesouro (-0,1 mil milhões).

Com esta evolução, o montante absoluto da dívida mantém dez meses consecutivos de crescimento, dando continuidade a uma trajetória ascendente que se vem consolidando desde o início dos anos 2000.

Contudo, o peso da dívida face ao Produto Interno Bruto (PIB) tem diminuído. No início de 2021, o rácio situava-se em 137,5% do PIB; em setembro deste ano desceu para 97,6%. O Governo prevê que este valor fique ligeiramente acima dos 90% no final do próximo ano e desça para menos de 88% em 2026.

Recorda o CM que o ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, admitiu recentemente no Parlamento que o elevado endividamento “continua a ser um dos pontos mais frágeis da economia portuguesa”, defendendo a necessidade de manter a redução anual entre três e quatro pontos percentuais, para reforçar a sustentabilidade das finanças públicas.

Esta tendência de melhoria no rácio da dívida é suportada pelo desempenho económico. O PIB português atingiu 289,4 mil milhões de euros em 2024, refletindo a recuperação observada desde 2021. O Governo liderado por Luís Montenegro projeta um crescimento de 2% em 2025 e 2,3% em 2026. Previsões alinhadas com as do Banco de Portugal, que, no seu último Boletim Económico, sob a liderança de Mário Centeno, reviu em alta as estimativas, antecipando um aumento de 1,9% em 2025 e 2,2% em 2026.

Últimas de Economia

A produção na construção recuou 2,0% na zona euro e 1,8% na União Europeia (UE) em julho, face ao mesmo mês de 2025, segundo dados hoje divulgados pelo Eurostat.
A taxa Euribor desceu hoje a três e a 12 meses e subiu a seis meses para um novo máximo desde outubro de 2024.
Contas provisórias apontam para um agravamento de 10 cêntimos no gasóleo e oito na gasolina já a partir de segunda-feira. A Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis fecha os valores esta sexta-feira.
O Partido Socialista (PS) defende que é preciso aliviar a carga fiscal sobre os combustíveis, mas vai votar contra o projeto de lei do CHEGA que propõe reduzir temporariamente o IVA nos combustíveis de 23% para 13%. A decisão foi confirmada por José Luís Carneiro.
Com o prazo a apertar, várias entidades públicas aceleraram a contratação financiada pelo PRR. Na Universidade Nova de Lisboa, dez contratos foram assinados no último dia de junho e uma empreitada de quase 749 mil euros ficou a pouco mais de mil euros do valor que obrigaria a fiscalização prévia do Tribunal de Contas.
Abastecer deverá voltar a pesar mais na carteira já no início da próxima semana. As previsões apontam para aumentos expressivos no gasóleo e na gasolina, numa altura em que o Brent continua acima dos 100 dólares.
A taxa de inflação homóloga da zona euro fixou-se nos 3,2% em agosto, face aos 2% registados no mesmo mês de 2025, enquanto na União Europeia (UE) passou de 2,4% para 3,2%, ficando Portugal acima da média.
A Euribor desceu, esta quarta-feira, a três meses e subiu a seis e a 12 meses para novos máximos desde outubro e julho de 2024, após o Banco Central Europeu ter subido as taxas diretoras na quinta-feira.
O cabaz alimentar composto por 63 bens essenciais monitorizado pela Deco Proteste subiu pela terceira semana consecutiva, fixando-se nos 255,97 euros, informou esta quarta-feira a associação de defesa do consumidor.
Os títulos de dívida emitidos por entidades residentes até agosto subiram 2,8% em termos homólogos, para 328.986 milhões de euros, segundo dados hoje divulgados pelo Banco de Portugal (BdP).