OE2026: Situação em França pode ter contágio para economia portuguesa

A presidente do Conselho das Finanças Públicas (CFP) alertou hoje que a perceção de risco da República francesa pode vir a contagiar uma economia como a portuguesa, pelo que não se deve estar "relaxado" face à situação orçamental.

© LUSA/MIGUEL A. LOPES

“França está numa situação de grande dificuldade financeira, tem uma dívida pública enorme que não para de crescer, não tem tido capacidade de controlo das contas públicas e o que é a perceção de risco da República francesa pode vir a ter contágio para uma economia como a portuguesa, que está também muito dependente da francesa”, disse Nazaré da Costa Cabral, numa audição no parlamento, no âmbito da proposta de Orçamento do Estado para 2026 (OE2026).

A responsável sublinhou que não se pode “estar descansado nem relaxado em relação à situação orçamental e financeira” do país, que apesar de tudo “não é tão forte como França”.

“Nada temos contra a redução da carga fiscal, por princípio, mas enquanto não tivermos um controlo efetivo do comportamento da despesa corrente primária do Estado, pode ser imprudente neste contexto complexo, até do ponto de vista financeiro, fazer reduções estruturais de receita pública”, defendeu ainda a presidente do CFP.

A situação em França é um dos riscos identificados pelo CFP, nomeadamente a possível volatilidade no mercado da dívida com a situação em França, que pode “potenciar o agravamento de custos” e ter um efeito de contágio.

Esta segunda-feira, o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, não conseguiu reunir todos os grupos políticos para procurar um consenso sobre o orçamento para 2026, complicando o cenário de permanência em funções do seu executivo.

Últimas de Economia

O cabaz essencial de 63 produtos, monitorizado pela Deco PROteste, atingiu esta semana um novo máximo de 254,99 euros, mais 0,60 euros relativamente à semana anterior, foi hoje anunciado.
O Banco Central Europeu (BCE) prevê que a inflação vai acelerar para 3,1% no segundo trimestre de 2026 devido ao aumento dos preços da energia causado pela guerra no Médio Oriente.
A atividade económica em Portugal registou uma quebra na última semana de março, de acordo com o indicador diário divulgado hoje pelo Banco de Portugal (BdP).
As taxas Euribor desceram a seis e 12 meses e subiram a três meses hoje, face a quarta-feira.
Os concursos de empreitadas de obras públicas promovidos até fevereiro diminuíram 35% em número e 49% em valor face ao mesmo mês de 2025, respetivamente para 467 e 861 milhões de euros.
O consumo de eletricidade atingiu, entre janeiro e março, o valor mais elevado de sempre para um primeiro trimestre em Portugal, registando um máximo de 14,6 Terawatt-hora (TWh), segundo informou a REN - Redes Energéticas Nacionais em comunicado.
Os consumidores em Portugal contrataram em fevereiro 769,4 milhões de euros em crédito ao consumo, numa subida homóloga acumulada de 10,8%, enquanto o número de novos contratos recuou para 134.697, divulgou hoje o Banco de Portugal (BdP).
Os pagamentos em atraso das entidades públicas fixaram-se em 369,7 milhões de euros em fevereiro, uma subida de 5,8 milhões de euros face ao período homólogo e de 34,5 milhões face a janeiro, foi hoje anunciado.
Os preços das casas estão a aumentar ininterruptamente em Portugal desde que o primeiro governo de Luís Montenegro tomou posse, em 02 de abril de 2024, contribuindo para agravar uma crise ainda sem solução à vista.
A dívida pública na ótica de Maastricht, a que conta para Bruxelas, aumentou cerca de 1.560 milhões de euros em fevereiro, para 282.711,2 milhões de euros, segundo dados hoje divulgados pelo Banco de Portugal (BdP).