Multinacionais em Portugal representaram 29% das receitas de IRC em 2022

As empresas multinacionais garantiram mais de um quarto das receitas totais de IRC arrecadadas pelo Estado português em 2022, 29% do total, mostram estatísticas hoje divulgadas pela OCDE.

© D.R.

No relatório anual Corporate Tax Statistics 2025, sobre os sistemas de tributação das empresas em vários pontos do mundo, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) refere que “as multinacionais estrangeiras e nacionais representam uma parte significativa das receitas do imposto sobre o rendimento das pessoas coletivas em várias jurisdições” a nível global.

Em 106 jurisdições cujas administrações tributárias colaboram nas regras internacionais da OCDE e do G20 para a troca de informação sobre as atividades das empresas multinacionais, 54 enviaram estatísticas país por país à OCDE sobre mais de 8.700 grandes grupos empresariais.

Os dados permitem ver o peso da atividade destas empresas no conjunto das receitas obtidas pelos Estados e, entre o leque de 45 jurisdições para os quais foram divulgados dados, Portugal aparece em 34.º lugar.

Entre os primeiros lugares encontram-se alguns territórios com centros financeiros com regras fiscais que os caracterizam como paraísos fiscais.

A Irlanda é o país onde o rácio é mais elevado, com as multinacionais a garantirem 87% das receitas de IRC.

Seguem-se Singapura (80%), Hong Kong (74%), Maurícias (68%), Noruega (64%), Malásia (63%), Colômbia (56%), Panamá (55%), Hungria (54%) e Suécia (53%).

Com percentagens próximas às de Portugal aparecem países como África do Sul (33%) e Espanha (32%), imediatamente acima, e Áustria (27%) e Itália (25%), imediatamente abaixo.

“Os dados relativos ao ano fiscal de 2022 mostram uma redução modesta [da origem da receita do IRC] entre o local onde os lucros são declarados e o local onde as atividades económicas ocorrem”, refere a OCDE, notando que “as receitas e os lucros por trabalhador continuam a ser mais elevados nos centros de investimento [centros financeiros, como paraísos fiscais], embora estes rácios estejam globalmente a diminuir”.

“A importância crescente das empresas multinacionais na composição fiscal pode refletir-se no facto de 19 jurisdições terem comunicado um aumento líquido da contribuição” dos grupos económicos internacionais nas suas receitas, explica a organização.

Em 2022, “os lucros totais voltaram a níveis comparáveis aos registados em 2019, antes da pandemia da covid-19”, o que, diz a OCDE, “corrobora a visão de que o aumento substancial nos lucros totais comunicados pelas empresas multinacionais cobertas no ano fiscal de 2021 foi impulsionado em grande parte pela recuperação pós-pandemia ou pelos aumentos na inflação em muitas jurisdições”.

Enquanto o valor mediano dos lucros por trabalhador nos centros de investimento é de 85.000 dólares americanos, nas outras jurisdições o valor é de “apenas 18.000 dólares americanos”, situa a organização.

Apesar de continuar a ser superior nos centros de investimento, o valor baixou em relação ao ano de 2017, quando se encontrava em 105.000 dólares americanos, refere a OCDE.

Últimas de Economia

A carga fiscal aumentou para 35,3% em 2025, face aos 35% registados no ano anterior, de acordo com a segunda notificação de 2026 relativa ao Procedimento dos Défices Excessivos divulgada hoje pelo INE.
A taxa de poupança das famílias recuou para 12,1% do rendimento disponível no segundo trimestre de 2026, face a 12,4% no trimestre anterior, divulgou hoje o Instituto Nacional de Estatística (INE).
Os preços aumentaram 16,5% no segundo trimestre, enquanto o número de negócios caiu 6,4%. Endividamento dos particulares regista o maior crescimento anual desde 2008.
A economia da zona euro deverá crescer 1% em 2026 e em 2027, segundo as previsões da OCDE, que está mais otimista para este ano mas mais pessimista em relação ao desempenho da economia no próximo.
O Presidente do CHEGA alerta para o peso dos combustíveis no setor agrícola e acusa PS e PSD de incoerência na discussão sobre a redução dos impostos.
O preço dos combustíveis e lubrificantes para transporte pessoal na União Europeia (UE) aumentou, em agosto, 23,8% na comparação homóloga, após as subidas de 13,7% em junho e de 16,9% em julho, segundo o Eurostat.
A economia portuguesa cresce e emprega mais, mas continua a falhar onde mais conta para criar riqueza: no valor produzido por cada hora de trabalho. Em 2025, a produtividade portuguesa ficou em apenas 66,9% da média da União Europeia, abaixo do nível registado no início do século. A Business Roundtable Portugal alerta ainda para salários comprimidos, falta de investimento e dificuldades em reter trabalhadores qualificados.
As empresas comunicaram 407 despedimentos coletivos até agosto, o que representa um aumento de 13,4% face ao período homólogo, mantendo-se no valor mais elevado desde 2020, segundo os dados mais recentes divulgados pela DGERT.
O CHEGA apresentou um projeto de lei que pretende reforçar a proteção das famílias com crédito à habitação própria e permanente quando a prestação passa a representar uma parte muito elevada do rendimento mensal.
O líder do CHEGA, André Ventura, acusou este domingo o primeiro-ministro e o Governo de irresponsabilidade política e hipocrisia sobre o tema do IVA dos combustíveis, e pediu também ao PS que ponham a mão na consciência.