O presidente do CHEGA, André Ventura, acusou esta quarta-feira o Governo de ter falhado na resposta às tempestades que afetaram várias regiões do país, considerando que a atuação do Executivo foi marcada por “descoordenação”, “improviso” e “inoperacionalidade”.
Durante o debate quinzenal com o primeiro-ministro, esta quarta-feira, na Assembleia da República, Ventura afirmou que “o Governo tem pouco trabalho para mostrar” e acusou o Executivo de preferir centrar o discurso político na oposição. “O líder da oposição só há um: é o CHEGA”, declarou.
Ventura criticou ainda aquilo que classificou como uma resposta insuficiente às populações afetadas pelos danos provocados pelas intempéries, defendendo que “centenas de famílias e empresas ainda não receberam os apoios prometidos”.
“Operacionalizar não é responder a um email. As pessoas não precisam de emails nem de conversa, precisam de apoio”, afirmou.
O presidente do segundo maior partido acusou também o Governo de continuar a “sufocar os portugueses com carga fiscal”, enquanto, segundo disse, “virou a cara a quem perdeu tudo” durante as tempestades.
No debate, o líder da oposição dirigiu ainda críticas ao funcionamento do SIRESP, recordando os sucessivos problemas associados ao sistema de comunicações de emergência nacional.
“Nós já gastámos 800 milhões com o SIRESP e falhou sempre”, afirmou, considerando que o país continua a assistir à nomeação das “mesmas pessoas”, apesar das falhas registadas ao longo dos últimos anos.
Ventura falou ainda numa alegada “tentativa de ocultar informação pública sobre o SIRESP” e acusou o sistema de estar dominado por “um polvo de interesses que tem destruído o país nos últimos anos”.
O líder do CHEGA criticou igualmente o papel das CCDR, defendendo que estas estruturas “foram nomeadas para agir” e não apenas para desempenhar funções administrativas.
Na parte final da intervenção, André Ventura deixou uma das declarações mais duras dirigidas ao primeiro-ministro, comparando Luís Montenegro a “um Peter Pan”.
“O Montenegro vive na Terra do Nunca. Imagina aquilo que pode ser, mas na verdade nunca é”, afirmou.
Ventura concluiu defendendo que o Governo deve assumir responsabilidades políticas pela resposta às tempestades, classificando a atuação do Executivo como “um falhanço em toda a linha”.