Ferrovia Évora/Espanha pronta mas comboios só no final do ano

O ministro das Infraestruturas deu hoje como concluídas as obras da linha ferroviária entre Évora e a fronteira com Espanha, mas revelou que os comboios só vão circular no final do ano ou início de 2027.

© D.R.

“Hoje é um dia histórico, porque temos a maior subestação a alimentar catenária em ferrovia em Portugal operacional, temos a via operacional. Portanto, via e catenária estão concluídas”, disse o ministro Miguel Pinto Luz.

Após ter viajado num veículo de inspeção na nova linha de alta velocidade que liga Évora e Elvas/Caia/fronteira com Espanha, num percurso de meia hora, o governante que tutela as pastas das Infraestruturas e da Habitação disse aos jornalistas que, ainda assim, falta algum tempo para os comboios de mercadorias e passageiros percorrerem a ferrovia.

“O que é falta” para “não criar faltas expectativas”, questionou Miguel Pinto Luz, respondendo de seguida: “Temos mais um ano pela frente para a sinalização e para a certificação em termos de segurança”.

Por isso, só no “final deste ano, princípio do próximo ano, é quando teremos de facto comboios aqui a andar”, acrescentou, insistindo que a linha estará pronta para comboios de mercadorias e de passageiros.

A Linha de Évora, cuja construção envolveu “quase 460 milhões de euros”, realçou hoje o ministro, integra o futuro Corredor Internacional Sul.

O Corredor Internacional Sul, entre Sines e a fronteira do Caia, em Elvas, distrito de Portalegre, enquadra-se no Programa de Investimentos na Expansão e Modernização da Rede Ferroviária Nacional “Ferrovia 2020”.

Segundo Miguel Pinto Luz, esta é “a primeira linha em Portugal capacitada para 250 quilómetros por hora” e vai permitir “reduzir 140 quilómetros” no percurso “que os comboios de mercadorias tinham que fazer à saída de Sines”.

“Sines é o maior porto nacional, consegue operar mais de 50 milhões de toneladas de carga ano, e estava absolutamente quase numa ilha isolada”, referiu

Mas, “hoje passa a estar preparado, com a obra que estamos a fazer em Sines e com esta, para estar muito mais próximo, numa redução drástica do tempo de viagem, nomeadamente para Espanha”, afiançou.

Acompanhado por vários responsáveis, nomeadamente da Infraestruturas de Portugal (IP) e também autarcas dos concelhos por onde a linha ferroviária passa, o ministro reconheceu tratar-se de uma obra “muito penalizadora para os municípios” que atravessa.

“É um esforço também que é pedido a estes municípios, no fundo, em prol da economia nacional, em prol do interesse nacional”, disse, garantindo que o Governo está “a trabalhar no sentido da estação técnica tão pedida para esta região” e que “todos os autarcas pedem” poder vir a ser concretizada.

“Nós temos aqui a indústria da pedra, temos várias indústrias e nós estamos a estudar. Existe viabilidade económico-financeira, vamos fazer todos os esforços para que, de alguma forma, isto não seja só um passivo para estes municípios, mas seja um ativo”, prometeu.

O ministro disse estar ciente de que os autarcas “não querem só andar aqui a ver passar comboios” e estão sim interessados em que estes comboios tragam “crescimento económico, progresso para estas populações”.

O objetivo global estabelecido com Espanha, segundo Pinto Luz, é o de “chegar em 2034 a Madrid em três horas”, mas, já em 2028/2030, será possível chegar à capital espanhola “em cinco horas e meia”, tanto em mercadorias como passageiros, o que “está nos antípodas” daquilo que era possível antes da construção desta linha.

E, apesar de agora a linha ser em bitola ibérica, tal como a que existe do lado de lá da fronteira, Pinto Luz lembrou que existe um acordo assinado com Espanha, e consensualizado com a Comissão Europeia, para a migração para a bitola europeia: “Quando os dois lados estiverem alinhados na solução final, podemos avançar e migrar nesse sentido”.

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