Tempestades provocaram erosão costeira acentuada no Algarve

As recentes tempestades provocaram uma "erosão costeira acentuada" no Algarve, com perdas significativas de sedimentos, recuo da linha de costa e quedas de arribas, alertou hoje o investigador Óscar Ferreira, defendendo intervenções urgentes.

© D.R.

Em declarações à agência Lusa, o especialista em dinâmicas costeiras afirmou que a sucessão de episódios de mau tempo “originou perdas significativas” de areia em diversas praias algarvias e expôs as arribas à ação direta do mar, fenómeno que resultou em movimentos de massa e quedas de arribas em vários pontos do litoral.

“Os impactos mais relevantes verificaram-se no troço entre Quarteira e Vale do Lobo, na zona de Forte Novo, no concelho de Loulé, onde se verificaram recuos da linha de costa considerados bastante relevantes, com movimentos de massa muito significativos”, afirmou o investigador do Centro de Investigação Marinha e Ambiental da Universidade do Algarve.

O especialista em áreas de dinâmica costeira, riscos costeiros e gestão costeira, considera “tratar-se de uma situação episódica, associada à sucessão de tempestades”, mas com “impactos duradouros em setores onde o recuo é contínuo e irreversível” sem intervenção humana.

“As praias terão, na sua maioria, capacidade de recuperação natural e de retorno dos sedimentos ao longo dos próximos meses, mas, obviamente, em alguns troços, como o de Quarteira e do Forte Novo, o recuo é continuado e por isso a costa que recuou não voltará a avançar, a não ser de forma artificial”, argumentou.

Como principal medida de mitigação nas zonas arenosas, o especialista aponta a reposição de areias nas praias “para adotarem não só capacidade balnear, mas também para minimizar o risco para as pessoas e para os bens”.

Já na costa rochosa do Algarve, entre Olhos de Água (Albufeira) e Lagos, considera ser necessário reforçar “a monitorização e intervir onde exista risco iminente associado às arribas”.

“Aí, terá de haver um cuidado acrescido nas zonas próximas das arribas e, provavelmente a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), que monitoriza [as arribas], fará intervenções em locais onde considere que possa haver risco iminente”, notou.

De acordo com o especialista, a recolocação de sedimentos “tem um tempo de vida, sempre variável de local para local”, e ao fim desse tempo terá de ser feita sempre nova intervenção”.

Óscar Ferreira defendeu que as soluções passam por uma combinação de estratégias, entre a alimentação artificial de praias, a recuperação de sistemas dunares e uma revisão do ordenamento do território nas zonas de maior vulnerabilidade.

“As intervenções isoladas têm eficácia limitada sem uma abordagem integrada e contínua”, alertou.

O investigador salientou ainda a importância da investigação científica e da monitorização permanente da costa para apoiar decisões políticas e técnicas, porque, “sem dados consistentes e atualizados, corre-se o risco de investir em medidas pouco eficazes ou de curto alcance”.

Segundo Óscar Ferreira, o desafio da erosão costeira exige cooperação entre entidades públicas, comunidade científica e populações locais, num contexto em que as alterações climáticas “tendem a agravar a frequência e intensidade dos fenómenos extremos associados ao mar”.

Na opinião do especialista, o problema “não pode ser revertido” e resulta, na maioria, de causas entrópicas, daí a necessidade de “reordenar o território e de relocalizar bens”.

“Já deveríamos ter mais planos de relocalização e de reordenamento de território, porque a médio e longo prazo acabam por ser menos onerosos do que a manutenção de estruturas de proteção ou de realimentação artificial. Deveríamos estar a retirar em vez de ocupar”, defendeu.

Óscar Ferreira sublinhou, ainda, que ao colocar-se areia, ou outro tipo de proteção, em áreas de risco, os gestores, sobretudo, “pensam que os locais estão salvaguardados e acabam por autorizar ocupações em áreas que efetivamente são de risco”, concluiu.

Últimas do País

A Região de Leiria perdeu cerca de 30% da sua riqueza regional em pouco mais de duas horas, na madrugada de 28 de janeiro, revelou hoje o secretário executivo daquela Comunidade Intermunicipal (CIM).
Os distritos de Leiria e Lisboa viram hoje serem agravados os avisos meteorológicos de vento e agitação marítima para sexta-feira, que passaram a laranja numa atualização do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
O Tribunal Constitucional rejeitou o recurso apresentado pelo primeiro-ministro para impedir a inclusão dos clientes da Spinumviva no seu registo de interesses, mas a decisão não é definitiva porque que foi pedida a sua anulação.
Três homens foram detidos e nove pessoas constituídas arguidas numa operação da Polícia Judiciária que desmantelou uma rede suspeita de introduzir substâncias proibidas no meio prisional. A investigação levou a buscas em várias cidades e resultou na apreensão de armas, dinheiro e criptoativos avaliados em cerca de 150 mil euros.
Um grupo de cientistas, coordenados pela Universidade de Coimbra (UC) e pela Universidade de Lund (Suécia), reprogramou pela primeira vez em laboratório um tipo de célula do sistema imunitário que atua na primeira linha da defesa tumoral.
O Infarmed alertou para a indisponibilidade do fármaco Mononitrato de Isossorbido Mylan 60, para o tratamento da angina de peito, até 30 de junho, recomendando alternativas terapêuticas e a dispensa limitada nas farmácias para garantir 'stock'.
Um homem, de 46 anos, foi detido na quarta-feira por suspeita de incêndio florestal, em Cabeceiras de Basto, no distrito de Braga, originado por uma queimada, indicou hoje a GNR.
Um professor de 65 anos foi hoje condenado pelo Tribunal Judicial de Leiria a três anos de prisão, pena suspensa por igual período, pela prática de sete crimes de abuso sexual de crianças.
Associações humanitárias de bombeiros de todo o país recolheram em 2025 mais de três milhões de toneladas de pilhas, baterias, lâmpadas e outros equipamentos elétricos, que foram enviados para reciclagem pela Associação Electrão.
Os prejuízos causados ​​pelo mau tempo no Baixo Alentejo ascendem a quase 38 milhões de euros, de acordo com um levantamento que a comunidade intermunicipal já entregue à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo.