Banco de Portugal diz que sistema bancário deve estar preparado para amparar choques

A administradora do Banco de Portugal Francisca Guedes de Oliveira defendeu hoje que o sistema bancário deve estar preparado para amparar choques e acompanhar a retoma da economia.

© LUSA/CARLOS M. ALMEIDA

“Mais do que nunca, é essencial que o sistema bancário esteja preparado para amparar estes choques, financiar e acompanhar a retoma da economia, contribuindo para que as famílias e empresas recuperem o seu ritmo e avancem com confiança num contexto global volátil”, disse a administradora no encerramento da conferência Banking on Change.

Na conferência organizada pelo jornal Eco, Francisca Guedes de Oliveira recordou o papel do setor nos últimos anos, em particular no caso da covid-19 e no comboio de tempestades que atingiu Portugal no final de janeiro e início de fevereiro.

“O papel da banca tem sido de apoio na absorção desses choques, oferecendo soluções que permitam estabilizar, reconstruir e voltar a erguer projetos pessoais e empresariais”, acrescentou.

A administradora apontou que o mundo está “em rápida transformação” e que o setor bancário ganha relevo nestas circunstâncias.

“Num mundo em que tudo muda e, de repente, estamos outra vez a falar da possibilidade de inflação e da possibilidade de reversão da política monetária, em que os mercados já incorporam, até ao final do ano, duas subidas da taxa de juro (…), acho que este papel de um sistema financeiro e de uma banca sólida que responde e que está atenta é absolutamente crucial”, sublinhou.

A administradora acrescentou que é importante reconhecer que embora o supervisor e a indústria estejam “frequentemente de lados diferentes da mesa”, isso não significa que estejam em conflito.

“Na verdade, ambos partilhamos o mesmo objetivo. Um sistema financeiro sólido, confiável e capaz de apoiar o desenvolvimento económico. Para isso, a supervisão tem de adotar uma perspetiva sistémica, indo além da dimensão microprudencial e garantindo também a existência de um mercado justo, equitativo e transparente”, disse, acreditando que a supervisão também pode ser um estimulador da inovação.

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