Alfred Kammer assumiu que as dificuldades na habitação se verificam em muitos países europeus, onde se registam fortes subidas de preços, nomeadamente devido ao facto de que, nos últimos 20 anos, “não se construíram tantas casas como anteriormente, nem sequer tantas habitações sociais“.
O Governo português “está a tentar resolver esta questão específica com o programa que tem em vigor”, sinalizou, sublinhando que o que se verifica “é realmente uma questão de oferta insuficiente para a procura que existe”.
Este problema “não só afeta as pessoas pessoalmente, como também afeta a economia, porque o que se observa é que os aumentos dos preços da habitação são particularmente elevados nos centros urbanos”, que têm a maior produtividade de um país.
“A produtividade depende da obtenção de talentos e da oferta de mão-de-obra e muitos, sobretudo os jovens, são excluídos do mercado quando tentam deslocar-se para os centros urbanos. E isso afeta, obviamente, o seu potencial de ganhos futuros, mas também afeta o crescimento da economia”, explicou.
Assim, a crise na habitação também tem um efeito negativo no crescimento, alertou Kammer, apelando, por isso, a um esforço concertado para lidar com esta questão, nomeadamente do lado da oferta, entre os países europeus, por exemplo através de questões de ordenamento do território ou de tributação.
Os preços das casas subiram 18,9% em Portugal no quarto trimestre de 2025 em comparação com o período homólogo do ano anterior, sendo esta a segunda maior subida entre os países da União Europeia (UE), segundo os dados mais recentes do Eurostat.
Os dados dão conta de que os maiores aumentos anuais dos preços das casas no quarto trimestre de 2025 foram registados na Hungria (+21,2%), Portugal (+18,9%) e Croácia (+16,1%). No conjunto da zona euro, os preços das casas, medidos pelo Índice de Preços da Habitação, aumentaram 5,1%, enquanto nos 27 países da UE a subida foi de 5,5%, ainda em comparação com o mesmo trimestre do ano anterior.