Indemnização de 500 mil euros? Ministério Público suspeita de acordo entre TAP e o Governo

O Ministério Público suspeita de uma articulação entre responsáveis da TAP, membros do Governo e um advogado para viabilizar o pagamento de 500 mil euros a Alexandra Reis, antiga administradora da companhia aérea, valor que considera não ser devido por lei.

©facebook.com/tapairportugal

O Ministério Público (MP) considera existirem “fortes e fundadas suspeitas” de uma articulação entre responsáveis da TAP, membros do Governo e um advogado, com o objetivo de viabilizar o pagamento de 500 mil euros a Alexandra Reis — um montante que, segundo os investigadores, não seria devido por lei.

De acordo com o Correio da Manhã (CM), embora não identifique formalmente os visados, o MP coloca sob suspeita responsáveis governativos com tutela sobre a TAP à data dos factos, nomeadamente nas áreas das Infraestruturas e das Finanças, no período em que foi acordada a indemnização, em fevereiro de 2022.

Esta posição surge no âmbito da resposta a um recurso apresentado por César Sá Esteves, advogado ligado à sociedade de Pedro Rebelo de Sousa, que contestou as buscas realizadas ao seu escritório em setembro do ano passado. O jurista alegava falta de fundamentação no mandado de busca, argumento que foi rejeitado pelo Tribunal da Relação.

Os juízes desembargadores consideraram que as suspeitas não foram artificialmente ampliadas para justificar as diligências, sublinha o CM, validando assim tanto a busca como a constituição de arguido do advogado — até ao momento, o único formalmente visado no processo.

Para o MP, a atuação de César Sá Esteves suscita dúvidas relevantes, tendo em conta a sua especialização em direito laboral. Os investigadores questionam como não terá sido considerada a legislação aplicável ao setor público e ao estatuto do gestor público, que, em princípio, não permitiriam o pagamento da compensação nos moldes em que foi atribuída.

O caso ganha particular relevância política por contrariar as conclusões da Comissão Parlamentar de Inquérito à TAP. Em 2023, os deputados concluíram não existirem indícios de que o Ministério das Finanças tivesse conhecimento do processo, enquanto o então ministro das Infraestruturas e o respetivo secretário de Estado terão acompanhado o dossiê.

A indemnização viria a ser posteriormente devolvida por Alexandra Reis, mas o processo continua a levantar dúvidas sobre decisões tomadas ao mais alto nível e sobre a eventual existência de uma estratégia concertada para contornar a lei.

Últimas de Economia

Os portugueses continuam a pagar cada vez mais para levar exatamente os mesmos produtos para casa. O cabaz alimentar voltou a aumentar e já custa quase mais 38% do que custava há pouco mais de quatro anos.
Os consumidores em Portugal contrataram em abril 881,1 milhões de euros em crédito ao consumo, numa subida homóloga acumulada de 13,6%, enquanto o número de novos contratos avançou para 146.018, divulgou hoje o Banco de Portugal (BdP).
As remunerações dos novos depósitos a prazo aumentaram em abril pelo terceiro mês consecutivo, para 1,44%, uma tendência em linha com a zona do euro, apesar de continuar abaixo do selecionado no mês homólogo, divulgou hoje o BdP.
A economia da zona euro teve um aumento homólogo de 0,3% até março, e o da União Europeia de 0,7%, divulgou o Eurostat, revendo em baixa a estimativa publicada em abril de, respetivamente, 0,8% e 1,0%.
As licenças para construção e reabilitação de edifícios habitacionais caíram 10,2% no primeiro trimestre, em termos homólogos, enquanto os novos fogos licenciados recuaram 4,7% e o consumo de cimento subiu 2,2%, segundo a AICCOPN.
O preço da gasolina deverá manter-se na próxima semana e o do gasóleo subir 4,5 cêntimos, segundo as previsões da Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis (Anarec) cedidas à Lusa.
A taxa Euribor subiu hoje a três, a seis e a 12 meses em relação a quarta-feira, para máximos desde abril de 2025 no prazo mais curto.
A Comissão Europeia abriu hoje um processo a Portugal e a outros 11 Estados-membros por não terem estabelecido regras nacionais para sancionar quem viole um regulamento sobre combustíveis sustentáveis na indústria da aviação.
A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) prevê que o saldo orçamental português será nulo este ano, passando para um défice de 0,1% em 2027, segundo as previsões divulgadas hoje.
A taxa de inflação anual da zona euro deverá ter aumentado em 3,2% em maio de 2026, face aos 3,0% registados em abril, puxada pelos preços da energia, segundo uma estimativa rápida hoje divulgada pelo Eurostat.