Internamentos sociais: SNS paga 350 milhões por doentes que já deviam ter saído

Internamentos sociais disparam e já ocupam quase 14% das camas hospitalares, com milhares de doentes a permanecer no SNS após alta médica por falta de resposta social.

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O número de doentes internados nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) por motivos sociais — sem necessidade clínica — aumentou 20% no último ano, atingindo os 2.807 casos. Segundo o Correio da Manhã (CM), esta realidade já representa quase 14% do total de internamentos e está a pressionar de forma significativa a capacidade de resposta do sistema.

De acordo com a 10.ª edição do Barómetro dos Internamentos Sociais, da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH), estes internamentos inapropriados — quando o doente já teve alta médica, mas permanece no hospital por ausência de resposta social — geraram um custo superior a 350 milhões de euros, mais 63 milhões face ao ano anterior.

No total, refere o CM, os hospitais acumularam 439.871 dias de internamento sem justificação clínica, com uma média de 157 dias por utente. As regiões de Lisboa e Vale do Tejo e do Norte concentram cerca de 85% destes casos.

A principal causa apontada é a insuficiência de resposta na Rede Nacional de Cuidados Continuados, responsável por 45% das situações, seguida da falta de vagas em estruturas residenciais para idosos. A estes fatores juntam-se contextos familiares e sociais complexos, que dificultam a saída dos utentes das unidades hospitalares.

Para o presidente da APAH, Xavier Barreto, estes internamentos continuam a “pressionar de forma considerável” o SNS, com impacto direto na eficiência dos serviços e no acesso aos cuidados de saúde. O responsável defende o reforço da capacidade fora do ambiente hospitalar, maior celeridade nos processos legais e um investimento estruturado no apoio domiciliário e nos cuidadores, como forma de aliviar um sistema cada vez mais condicionado por respostas sociais insuficientes.

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