Governador do Banco de Portugal comprou ações após tomar posse e BCE travou operação

O governador do Banco de Portugal comprou ações da Galp e da Jerónimo Martins já no exercício de funções, mas acabou obrigado pelo Banco Central Europeu (BCE) a desfazer os negócios por violarem as regras impostas ao cargo.

© LUSA/ MANUEL DE ALMEIDA

O governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, adquiriu ações da Galp e da Jerónimo Martins já depois de ter assumido funções à frente do supervisor bancário, tendo sido posteriormente obrigado pelo Banco Central Europeu (BCE) a reverter as operações por estas violarem as regras de conduta aplicáveis ao cargo.

A informação foi avançada esta segunda-feira pelo Público e confirmada ao Jornal de Notícias por fonte oficial do Banco de Portugal, que reconheceu a realização das aquisições e garantiu que os procedimentos foram entretanto anulados.

“No âmbito da gestão da sua carteira de aplicações financeiras, o governador Álvaro Santos Pereira reforçou o investimento em ações da Galp Energia SGPS, S.A., e da Jerónimo Martins SGPS, S.A. Após clarificação com o Banco Central Europeu, esse reforço foi revertido, processo que se encontra concluído”, indicou a mesma fonte.

As operações foram identificadas na declaração de interesses remetida ao BCE a 12 de janeiro e consultada pelo Jornal de Notícias. No documento, Álvaro Santos Pereira declarou ter realizado transações sobre títulos da Jerónimo Martins a 29 de dezembro e da Galp em dois momentos distintos, a 17 e 29 de dezembro de 2025.

As aquisições ocorreram cerca de dois meses após a tomada de posse como governador do Banco de Portugal, a 6 de outubro, já no exercício de funções e, por isso, sujeito às regras de conduta impostas pelo BCE.

Foi precisamente quando o BCE detetou essas movimentações que o governador foi alertado para a incompatibilidade das operações com o código de conduta da instituição liderada por Christine Lagarde, tendo sido obrigado a desfazer os negócios.

Na mesma declaração de interesses, Álvaro Santos Pereira indicou não deter depósitos superiores a 100 mil euros em bancos supervisionados pelo BCE, nem outros investimentos financeiros relevantes.

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