Tomar ainda com constrangimentos nas comunicações e gestão florestal

A situação em Tomar "estabilizou" cerca de 100 dias após a tempestade Kristin, mas continuam a existir constrangimentos nas comunicações e na gestão florestal, disse hoje à Lusa o presidente da Câmara, Tiago Carrão.

© Patrícia de Melo Moreira/Lusa

“A situação estabilizou, mas o volume de trabalho que temos ainda pela frente, em várias dimensões, é enorme”, afirmou o autarca de Tomar, no distrito de Santarém, destacando problemas persistentes, sobretudo nas telecomunicações.

Segundo Tiago Carrão (AD – coligação PSD/CDS-PP), várias freguesias do concelho continuam com limitações no acesso a redes móveis, uma situação que não depende diretamente do município.

“Temos ainda hoje freguesias em boa parte sem acesso a algumas das operadoras, o que, ao fim de três meses, é um transtorno significativo para a vida das pessoas e para a sua vida profissional”, referiu.

O autarca sublinhou que o concelho continua dependente da atuação de entidades externas, nomeadamente das operadoras de telecomunicações, para a resolução destas falhas.

Também ao nível da iluminação pública subsistem problemas, com particular incidência na freguesia de Olalhas.

“Em boa parte, a iluminação pública ainda não funciona”, disse, acrescentando que os constrangimentos nas áreas da energia e comunicações são “os principais problemas que ainda se sentem”.

O presidente da Câmara de Tomar frisou que o trabalho de recuperação dos danos causados pelas tempestades não será rápido.

“É um trabalho que não é de semanas, é um trabalho que será seguramente de meses”, afirmou, recordando que os danos no concelho se aproximam dos 7 milhões de euros e que a principal preocupação neste momento é a floresta.

“Neste momento, a grande prioridade é a floresta. O verão aproxima-se e temos ainda agora a agravante do derrube de muita árvore e muito combustível espalhado”, explicou.

O autarca alertou ainda para caminhos florestais obstruídos, considerados essenciais para o combate a incêndios.

“Estamos neste momento em contrarrelógio (…) não pouparemos esforços para estarmos nas melhores condições possíveis para o combate a esta época de incêndios”, disse.

Em paralelo, o município está a avançar com uma reestruturação da proteção civil municipal e do corpo de bombeiros, enquadrada na resposta aos desafios operacionais e ao próximo verão.

“Foi a reorganização dos serviços municipais que permitiu distinguir a proteção civil do corpo de bombeiros, dois serviços distintos, mas complementares”, explicou.

Tiago Carrão sublinhou que o objetivo da mudança é reforçar a capacidade de resposta.

Questionado sobre a ausência de um comandante titular nos bombeiros, o autarca confirmou que a corporação está a ser assegurada em regime de transição.

“Temos a corporação a funcionar com o segundo comandante, no qual temos total confiança”, disse, adiantando que o processo de nomeação de novas lideranças está em fase final e que “em breve será anunciado” o futuro comandante dos bombeiros e o coordenador da proteção civil municipal.

Segundo o autarca, o novo modelo pretende separar funções, mas garantir coordenação operacional.

“Teremos um coordenador da proteção civil e um comandante dos bombeiros que vão trabalhar lado a lado”, explicou.

Tiago Carrão reforçou que a reorganização tem como objetivo preparar o concelho para o período crítico do verão, sobretudo no que respeita ao risco de incêndio.

Pelo menos 19 pessoas morreram em Portugal entre o final de janeiro e o início de março na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que fizeram também várias centenas de feridos, desalojados e deslocados. Mais de metades das mortes foram registadas em trabalhos de recuperação.

Os temporais, que atingiram o território continental durante cerca de três semanas, sobretudo nas regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo, provocaram a destruição total ou parcial de milhares de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias, com prejuízos superiores a cinco mil milhões de euros.

Três meses após o início das tempestades, cerca de 20 mil clientes continuam sem serviços fixos de comunicações.

Últimas do País

A praia de Santo Amaro de Oeiras foi hoje temporariamente interditada, na sequência de um episódio de poluição na ribeira da Laje, provocado por uma rotura numa conduta da Tratolixo, informou a Agência Portuguesa do Ambiente (APA).
As sete pessoas detidas na terça-feira por maus-tratos a idosos, na sequência do encerramento de nove residências que funcionavam como lares ilegais em Lousada, no distrito do Porto, ficaram hoje em prisão preventiva, adiantou à Lusa fonte policial.
O desinvestimento na rede pública de bibliotecas, nomeadamente em relação à formação de profissionais qualificados na área de biblioteca e arquivo, assim como os desafios da inteligência artificial, preocupam a Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB).
O presidente do CHEGA afirmou esta quinta-feira que os trabalhadores portugueses não podem continuar a ser tratados como “descartáveis”, defendendo medidas para limitar despedimentos ilícitos, valorizar o trabalho por turnos e reforçar os direitos das famílias.
Uma advogada com escritório em Lisboa foi constituída arguida na segunda-feira por suspeitas de falsificação de documentos em pelo menos 26 processos de legalização de imigrantes, adiantou a Guarda Nacional Republicana (GNR).
Os corpos de duas mulheres foram hoje encontrados numa habitação na Trofa, no distrito do Porto. Apresentavam "sinais de decomposição".
Enquanto milhares de pensionistas vivem com reformas reduzidas, o presidente da Autoridade de Seguros e Fundos de Pensões foi autorizado a acumular salário e pensão, atingindo um rendimento mensal de quase 20 mil euros brutos.
Uma mulher de 48 anos foi detida pela suspeita de ter matado a enteada de oito anos, cujo desaparecimento foi participado pelo pai na quarta-feira, em Valpaços, anunciou a Polícia Judiciária (PJ).
Teste de Direito do Trabalho I, da Escola Superior de Ciências Empresariais, do Instituto Politécnico de Setúbal, recorre a referências ao partido CHEGA e a uma personagem inspirada em André Ventura para ilustrar um negócio jurídico envolvendo a venda de uma arma.
Quatro meses após as grandes tempestades, o mar na praia da Fonte da Telha (Almada) dá sinais de já não ser o mesmo, com o registo de 12 salvamentos entre a última semana de maio e 11 de junho.