Vasco Morgado, ex-presidente da Junta de Freguesia de Santo António eleito pelo PSD e arguido na Operação “Tutti Frutti”, foi nomeado para um cargo de direção na EGEAC, empresa municipal responsável pela organização das Festas de Lisboa e de vários eventos culturais da capital.
O social-democrata assumiu em abril as funções de diretor de planeamento e produção de eventos da empresa municipal liderada pela Câmara de Lisboa de Carlos Moedas.
Vasco Morgado está acusado de 27 crimes, entre os quais 17 de corrupção passiva, sete de prevaricação e três de branqueamento.
Segundo a acusação do Ministério Público, o antigo autarca terá beneficiado de serviços de assessoria alegadamente fictícios em troca de apoio político e partidário ligado a Nuno Firmo, antigo dirigente do PSD em Lisboa e ex-tesoureiro da Junta de Santo António.
De acordo com o processo, Vasco Morgado terá recebido cerca de 15 mil euros.
A nomeação está já a gerar polémica, sobretudo porque Carlos Moedas tinha prometido durante a campanha eleitoral autárquica de 2021 que não trabalharia “com arguidos”.
Apesar disso, o antigo presidente da Junta de Santo António ocupa agora um cargo de proximidade à organização das Festas de Lisboa, um dos maiores eventos públicos promovidos pela autarquia.
O processo investiga alegados esquemas de favorecimento e troca de benefícios entre militantes do PS e do PSD em várias juntas de freguesia e estruturas municipais de Lisboa.
Ao todo, o caso conta com cerca de 60 arguidos, entre ex-autarcas, dirigentes partidários e vereadores municipais, numa investigação que durou oito anos.
Antes de entrar para a EGEAC, Vasco Morgado liderou durante mais de uma década uma das freguesias mais influentes da capital, a Junta de Freguesia de Santo António.