O regresso do Estado ao capital da REN terá um custo de 380 milhões de euros. É este o valor previsto para a aquisição dos 13,7% detidos pela Pontegadea Inversiones, holding de Amancio Ortega, fundador da Zara, numa operação que permitirá ao empresário espanhol beneficiar de um prémio superior a 55 milhões de euros.
O montante acordado representa cerca de 17% acima do valor bolsista da participação a 14 de agosto, dia em que o primeiro-ministro, Luís Montenegro, anunciou a operação durante a Festa do Pontal e a Pontegadea comunicou a transação ao mercado.
Segundo avançou o Jornal Económico, os 380 milhões de euros constam da informação remetida ao Tribunal de Contas, que terá agora de conceder o visto necessário à concretização do negócio.
A aquisição será realizada através da Parpública, que se prepara para comprar 91,7 milhões de ações da REN, responsável pela gestão das redes nacionais de transporte de eletricidade e gás natural. Concluída a operação, o Estado passará a ser o segundo acionista de referência da empresa, atrás da chinesa State Grid, que detém 25% do capital.
O negócio surge acompanhado de um reforço financeiro da Parpública. A holding que gere as participações empresariais do Estado registou um aumento de capital de 42,77 milhões de euros, elevando-o para cerca de 2,042 mil milhões.
Do lado de Amancio Ortega, a saída da REN deverá traduzir-se num negócio particularmente rentável. O empresário entrou no capital da empresa em 2021, inicialmente com uma participação de 12%, que reforçou no último trimestre de 2025.
Contabilizando a valorização das ações, o prémio associado à venda e cerca de 62 milhões de euros recebidos em dividendos, o retorno global do investimento de Ortega é estimado em aproximadamente 218 milhões de euros.
Cinco anos depois de entrar na REN, o fundador da Zara prepara-se, assim, para abandonar o capital da empresa com um retorno milionário. Do outro lado da operação está o Estado português, que vai desembolsar 380 milhões de euros para recuperar uma posição relevante numa empresa estratégica, pagando um prémio superior a 55 milhões face ao valor bolsista de referência da participação.