“Alguma coisa não bate certo”: Ventura acusa ministra da Justiça de mentir e chama diretor da PJ ao Parlamento

O presidente do CHEGA acusou a ministra da Justiça de ter transmitido informações falsas ao Parlamento, admitindo duas hipóteses: ou foi enganada pela Polícia Judiciária ou terá procurado “encobrir” o ministro da Administração Interna. Ventura quer que o diretor nacional da PJ seja ouvido no Parlamento para esclarecer que informação foi transmitida.

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Para o presidente do CHEGA, André Ventura, há uma certeza: a informação transmitida ao Parlamento pela ministra da Justiça não correspondia à realidade. O que falta determinar, sustenta, é quem foi responsável por essa informação.

“A ministra da Justiça mentiu ao Parlamento. Isto não é uma suposição, é um facto”, afirmou Ventura, acrescentando que a governante terá justificado a situação alegando ter sido induzida em erro pela própria Polícia Judiciária. É precisamente essa explicação que o CHEGA quer agora ver escrutinada.

Segundo Ventura, se a Polícia Judiciária (PJ) transmitiu deliberadamente informação falsa ao Governo, a situação representa um problema institucional grave e exige explicações. Mas o presidente do segundo maior partido colocou também em cima da mesa uma segunda hipótese: “Temos todas as condições para suspeitar que foi a ministra que mentiu para encobrir o ministro da Administração Interna.”

“Alguma coisa não bate certo”, insistiu.

O presidente do CHEGA defendeu que chegou o momento de retirar a discussão do campo das versões contraditórias e ouvir diretamente quem dirige atualmente a Polícia Judiciária.

Ventura quer que o diretor nacional da PJ explique que informações foram transmitidas ao Ministério da Justiça, se essas informações estavam corretas e onde se encontra atualmente o material apreendido que está no centro da polémica.

“Alguém em nome da PJ deve vir ao Parlamento esclarecer que informação transmitiu, onde estão os materiais e porque um ministro utiliza esses materiais como quer”, afirmou.

O líder da oposição levantou ainda questões sobre o paradeiro de droga apreendida e sobre o alegado desaparecimento de dinheiro associado a operações de combate ao tráfico de estupefacientes, defendendo que estes episódios têm de ser integralmente esclarecidos.

Ventura afirmou existirem “severas suspeitas” que atingem a atuação de Luís Neves, embora não tenha apresentado, nestas declarações, elementos que permitam concluir pela existência de qualquer comportamento criminoso por parte do ministro.

“Não vamos desistir enquanto isto não estiver esclarecido”

Para Ventura, a sucessão de dúvidas e versões contraditórias deixou de ser apenas um problema político de Luís Neves e passou a atingir o funcionamento das próprias instituições.

“As instituições não devem mentir aos cidadãos e aos governantes que as tutelam”, afirmou, considerando que “o nível de degradação a que estamos a assistir é algo nunca visto na nossa história”. O presidente do CHEGA garantiu que o partido pretende continuar a pressionar o Governo até obter respostas.

“Não vamos desistir enquanto isto não estiver esclarecido”, avisou. “O Governo não vai fazer desaparecer este tema, seja como for.”

“Apelo ao diretor da PJ para que venha ao Parlamento”, arrematou.

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