Governo confirma ao Observador que mentiu ao CHEGA sobre o custo para destruir os bidões com químicos ligados a Luís Neves

Primeiro, o Governo respondeu ao CHEGA indicando um orçamento de 144.456 euros para a destruição dos químicos, em linha com a justificação apresentada por Luís Neves. Agora, confrontado pelo Observador, o Ministério da Justiça esclarece um pormenor decisivo: aquele valor abrangia produtos apreendidos em vários processos e não apenas os 62 bidões da Operação Pacoba. Afinal, os 144 mil euros não eram só para aqueles químicos.

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Afinal, os 144 mil euros não eram para destruir apenas os 62 bidões de produtos químicos da Operação Pacoba. Depois de o Governo ter respondido ao CHEGA com um valor que praticamente confirmava a explicação apresentada por Luís Neves, o Ministério da Justiça veio agora esclarecer ao Observador um detalhe que muda substancialmente a história: aquela conta incluía químicos apreendidos em vários processos.

Tudo começou com perguntas do grupo parlamentar do CHEGA sobre o destino dos produtos químicos e os custos associados à sua destruição. Na resposta enviada ao Parlamento, o Ministério da Justiça revelou que a AMBIMED tinha apresentado, em 2025, um orçamento de 144.456,93 euros, com IVA, acrescentando que a Polícia Judiciária não dispunha dessa verba sem comprometer a sua atividade normal.

Quase 150 mil euros. Por coincidência, praticamente o mesmo número avançado por Luís Neves.

No final de julho, o atual ministro da Administração Interna tinha afirmado publicamente que a PJ recebera um orçamento na ordem dos 150 mil euros para destruir os químicos, apresentando o elevado custo como justificação para ter sido procurada uma solução alternativa.

A resposta do Governo ao CHEGA parecia, assim, fechar o assunto: Luís Neves falara em cerca de 150 mil euros e o Ministério da Justiça apresentava um orçamento de 144.456,93 euros.

As contas batiam certo. O problema é que não estavam a contar a mesma coisa.

Confrontado diretamente pelo Observador, o Ministério da Justiça esclareceu que os 144 mil euros não diziam respeito exclusivamente aos 62 bidões da Operação Pacoba. O orçamento abrangia produtos químicos apreendidos em vários processos.

É uma diferença que está longe de ser um simples pormenor contabilístico. O valor apresentado na resposta ao CHEGA permitia associar os 144 mil euros à destruição dos químicos que estão no centro da polémica envolvendo Luís Neves. Agora, o próprio Ministério esclarece que a fatura incluía muito mais do que aqueles bidões.

E é precisamente aqui que surge a pergunta que continua sem resposta: quanto custaria, afinal, destruir apenas os 62 bidões da Operação Pacoba?

O esclarecimento ganha ainda maior relevância porque o custo da destruição foi apresentado como um dos argumentos para explicar a solução encontrada para aqueles produtos durante a passagem de Luís Neves pela direção nacional da Polícia Judiciária.

Primeiro, Luís Neves falou em cerca de 150 mil euros. Depois, o Governo respondeu ao CHEGA com um orçamento de 144 mil euros. Agora, questionado pelo Observador, esclarece que esse dinheiro não era apenas para os bidões em causa, mas para químicos de vários processos.

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